Especialista orienta produtores a reforçar o planejamento para reduzir os efeitos das alterações climáticas sobre as lavouras

Goianésia - A possibilidade de atuação do fenômeno climático Super El Niño tem aumentado a preocupação do setor agropecuário em Goiás. Especialistas alertam que as mudanças no regime de chuvas, associadas ao aumento das temperaturas e à intensificação dos períodos de estiagem, podem comprometer o desenvolvimento de diversas culturas nos próximos meses. Diante desse cenário, o planejamento da produção passa a ser considerado uma das principais estratégias para reduzir prejuízos e preservar a produtividade das lavouras.

Segundo o assessor técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Lucas Castro, as lavouras de soja e a produção de hortifrutigranjeiros estão entre as atividades mais suscetíveis aos efeitos do fenômeno. Enquanto a soja exige atenção para o planejamento da próxima safra, produtores de frutas, legumes e verduras já enfrentam impactos provocados pelas condições climáticas.

"O setor da soja, até mesmo pela representatividade que tem em Goiás, precisa agir com bastante cautela. A orientação é que os produtores façam o planejamento da compra de insumos nas melhores condições e realizem a semeadura no período mais adequado, quando houver umidade suficiente no solo. Já o setor hortifrutigranjeiro está sofrendo os impactos desde agora, principalmente entre maio e junho, e esse cenário pode se estender até agosto e setembro."

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, fenômeno que altera os padrões climáticos em diversas regiões do planeta. No Brasil, os efeitos podem variar conforme a região, provocando mudanças no volume de chuvas, períodos prolongados de seca e temperaturas acima da média.

Para reduzir os riscos, Lucas Castro recomenda que os produtores não iniciem a semeadura da soja apenas com a ocorrência das primeiras chuvas da estação, mas aguardem condições adequadas de umidade no solo.

"Em Goiás, a partir do dia 25 de setembro, a semeadura da soja já é permitida. No entanto, orientamos o produtor a não iniciar esse processo sem que existam condições adequadas de umidade no solo. Também recomendamos que não faça o plantio nas primeiras chuvas, porque o solo precisa atingir uma capacidade ideal para receber a cultura."

Além do planejamento da semeadura, a Faeg orienta a adoção de medidas preventivas para reduzir os impactos das variações climáticas. Entre elas estão a construção de aceiros para diminuir o risco de incêndios durante o período seco, a conservação da fertilidade do solo, o manejo adequado das áreas de cultivo, o monitoramento constante de pragas e doenças e a contratação de seguro rural.

Na avaliação da entidade, a adoção dessas estratégias fortalece a capacidade de enfrentamento dos produtores diante das incertezas climáticas, reduz a exposição aos riscos e contribui para manter a produtividade das lavouras caso o Super El Niño se confirme nos próximos meses.