Goianésia-A Polícia Federal investiga um médico suspeito de liderar um esquema de desvio de recursos destinados ao combate à pandemia de Covid-19 em Goiás. As apurações, conduzidas em parceria com a Controladoria-Geral da União, indicam que parte do dinheiro público teria sido usada para pagar propina a servidores responsáveis pela fiscalização de contratos na área da saúde.
Nesta semana, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em imóveis ligados ao investigado, incluindo uma residência no Jardim Goiás e outra no Setor Sul, pertencente ao pai do médico. O investigado é apontado como responsável por uma Organização Social (OS) que administrava diversas unidades de saúde durante a pandemia, entre elas o Hospital de Urgências de Goiás.
Ao todo, a operação mobiliza 50 mandados judiciais, sendo quatro de prisão preventiva e 46 de busca e apreensão. As ações fazem parte das operações simultâneas Operação Rio Vermelho e Operação Makot Mitzrayim, realizadas em Goiânia, Brasília, São José do Rio Preto e em municípios dos estados do Tocantins e do Maranhão.
Esquema de superfaturamento e fraude em contratos
De acordo com as investigações, o grupo utilizava contratos superfaturados e empresas parceiras para desviar recursos públicos. A estrutura da OS teria sido usada para simular concorrência em processos licitatórios e direcionar editais, favorecendo empresas ligadas ao próprio dirigente. Esses contratos eram firmados com valores acima dos praticados no mercado.
A chamada Operação Rio Vermelho concentra-se na gestão de recursos voltados às unidades de campanha criadas durante a pandemia. Segundo a PF, o esquema se sustentava no superfaturamento de serviços, gerando um excedente financeiro que, além de enriquecer os envolvidos, era utilizado para garantir a omissão de fiscais públicos.
Subcontratações irregulares e impactos no atendimento
Já a Operação Makot Mitzrayim revelou um modelo de subcontratações em cadeia, descrito como “quarteirização” e “quinteirização” de serviços. Nesse sistema, empresas eram contratadas para executar atividades que, na prática, não eram entregues integralmente ou tinham seus custos inflados artificialmente.
As investigações também apontam que o esquema contribuiu para a precarização das relações de trabalho nas unidades de saúde administradas pela OS. Segundo a PF, a lógica adotada priorizava o aumento de lucros, em detrimento da qualidade do atendimento hospitalar e das condições oferecidas aos profissionais de saúde.




