Ação é promovida pelo Centro Universitário Evangélico de Goianésia

Goianésia-Na próxima quarta-feira (15), acontece a mesa redonda “As Vozes que Resistem ao Silêncio”, promovida pelo Centro Universitário Evangélico de Goianésia (Uniego), que reúne vítimas diretas do acidente com o Césio-137, estudantes e a comunidade em geral. A proposta é criar um espaço de escuta e reflexão sobre os impactos que permanecem como desafio até hoje.

Durante entrevista à RVC FM, o reitor José Mateus dos Santos explicou o objetivo da iniciativa.
“Completando, neste ano, 39 anos do acidente com o Césio-137, é muito importante essa reflexão, principalmente uma discussão no espaço acadêmico, que contempla todos os cursos que temos.”

Ele também destacou que o debate envolve diferentes áreas do conhecimento. “Na perspectiva do Direito, há um aspecto mais voltado à legislação que se estruturou a partir desse acidente. Já na Psicologia, o foco está nos impactos comportamentais.”

Iniciativa surgiu dentro da sala de aula

A proposta do evento teve origem no planejamento acadêmico do curso de Psicologia e ganhou maior dimensão após o interesse dos próprios estudantes e da comunidade.

“Começou no plano de ensino da disciplina, quando surgiu a intenção de trabalhar um tema de grande impacto. Depois, outros alunos manifestaram interesse em participar, e surgiu a ideia de abrir para cerca de 300 a 350 pessoas. O prazo foi muito curto e as vagas se esgotaram rapidamente. Inclusive, já pensamos na realização de um segundo momento.”

Vítimas participam e compartilham experiências

O encontro contará com a presença de pessoas diretamente afetadas pelo acidente, que irão relatar vivências e desafios enfrentados ao longo dos anos.
“Teremos a presença de três vítimas do Césio: o senhor Marcelo Santos Neves, dona Lourdes das Neves Ferreira, mãe de Leide das Neves, e também o senhor Donizete Rodrigo de Oliveira. São pessoas atingidas diretamente, que virão compartilhar suas experiências e os desafios que enfrentam, já que muitos ainda passam por dificuldades.”

Consequências ainda impactam vítimas

Além do resgate histórico, o evento também chama atenção para as dificuldades enfrentadas pelas vítimas décadas após o acidente, incluindo problemas de saúde e limitações financeiras.

“O Marcelo relatava os desafios enfrentados até hoje, como a necessidade constante de tratamento. O Donizete, por exemplo, já sofreu seis infartos relacionados à exposição ao Césio.”

Ele também mencionou limitações no suporte recebido. “Eles passam por muitas dificuldades, em função de não poderem trabalhar e de receberem uma pensão muito pequena.”

Debate envolve memória e responsabilidade pública

Outro ponto abordado é a ausência de políticas consolidadas de preservação da memória do acidente em Goiás, tema que também será discutido durante o encontro.
“Goiás não possui um memorial relacionado ao Césio. Não existe uma política estruturada de preservação da memória, e isso é algo que as vítimas sentem muito.”

Discussão ultrapassa fronteiras acadêmicas

O evento busca promover uma abordagem interdisciplinar, envolvendo Direito, Saúde, Psicologia e outras áreas, além de estimular reflexões sobre prevenção e preparo da sociedade diante de possíveis riscos.
“Não estamos falando de algo pequeno. Estamos falando de um evento de grande proporção. É o maior acidente radiológico em área urbana do mundo.”

Possibilidade de novos encontros

Com a alta procura, a instituição já avalia a realização de uma nova edição do evento, ampliando o debate com outros especialistas e autoridades.
“Estamos trabalhando para trazer também especialistas das áreas do Direito e da Saúde, ampliando ainda mais essa discussão”, conclui.