Estratégia ajuda pecuaristas a manter produtividade e aproveitar oportunidades de mercado

Goianésia- O ano de 2026 impõe novos desafios à pecuária brasileira. A demanda aquecida por carne bovina, somada à redução na oferta de fêmeas para reposição, exige decisões estratégicas dentro das fazendas. Nesse cenário, o confinamento ganha protagonismo como ferramenta para garantir produtividade, acelerar o giro de capital e manter o abastecimento dos mercados interno e externo.

O gestor de pecuária do Grupo Otávio Lage, responsável pelas atividades do grupo em Goiás, Antônio Roberto de Oliveira, explica que o sistema de confinamento tem sido fundamental para enfrentar o atual momento do setor.

Segundo ele, a menor oferta de boi gordo tem mantido os preços firmes no mercado. Por outro lado, o custo de reposição, especialmente do boi magro, principal insumo para o confinamento, aumentou devido à maior disputa entre produtores.

“Estamos tendo uma restrição na oferta de boi gordo, o que mantém os preços firmes. Em contrapartida, a reposição, principalmente o boi magro, acaba ficando mais competitiva no mercado. Isso faz com que o confinador precise pagar um ágio maior para adquirir esse animal”, explica.

Apesar disso, o gestor destaca que os custos de alimentação, que representam cerca de 70% das despesas na produção de um animal confinado, estão em patamares considerados favoráveis, o que contribui para manter a competitividade da produção. “Mesmo pagando um ágio maior pelo animal, conseguimos produzir uma arroba com custo competitivo por causa do preço dos insumos, principalmente da alimentação”, afirma.

Dados da Embrapa indicam que o Brasil produziu aproximadamente 10,4 milhões de toneladas de carne bovina em 2025, consolidando o país entre os maiores exportadores do mundo. O volume expressivo reforça a necessidade de planejamento rigoroso por parte dos produtores, especialmente em períodos de menor oferta de animais para reposição.

Antônio Roberto detalha que o grupo antecipou o início da safra 2026/2027 e projeta ampliar a produção. A meta é alcançar o abate de 50 mil bois, incluindo áreas de recria em Goianésia e em outras regiões de Goiás. “O confinamento é uma ferramenta estratégica para o sistema de produção. Nesse período do ano, entre fevereiro e março, as chuvas tendem a diminuir e a qualidade da forragem cai. Então, o confinamento ajuda a aliviar a pressão nas pastagens e permite trazer animais que já estão prontos para a fase final de engorda”, explica.

Ele acrescenta que o sistema também permite aproveitar oportunidades de mercado para adquirir animais de reposição e planejar melhor o ciclo produtivo. “Neste ano abrimos a safra 2026/2027 na segunda quinzena de março. Optamos por antecipar cerca de um mês em relação ao ano passado. Na safra anterior, 2025/2026, confinamos cerca de 38 mil animais. Agora temos um projeto mais ousado, com o objetivo de confinar e abater 50 mil bois”, destaca.