Goianésia- A possibilidade de implantar os serviços de quimioterapia e radioterapia na Policlínica Estadual de Goianésia entrou na pauta do município após a apresentação de estudos técnicos, em fevereiro de 2026. A proposta busca descentralizar o atendimento oncológico em Goiás, aproximando o tratamento dos pacientes da região do Vale do São Patrício e reduzindo deslocamentos frequentes para outros centros.
Em entrevista exclusiva à RVC FM, a médica oncologista Cinthia Cardoso Moreira, explicou que o município já avançou na etapa inicial do cuidado, mas ainda depende de encaminhamentos para completar o tratamento. Segundo ela, o tratamento do câncer se apoia em três frentes principais.
“Hoje a gente tem três modalidades dentro do câncer: cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Às vezes tratamentos combinados, às vezes associados, às vezes um primeiro e depois o outro, mas é esse tripé de tratamento que a gente tem hoje em dia a oferecer pro paciente”, detalhou. Atualmente, a Policlínica conta com especialistas, mas não dispõe das duas modalidades terapêuticas.
A médica avalia que a unidade tem condições de iniciar o serviço. “Vejo com muito bons olhos essa ideia de tentar levar pra Policlínica, que já tem uma estrutura inicial, precisaria só agregar os outros serviços, que é a quimioterapia. Geralmente o serviço inicia com quimioterapia e depois, com o tempo, progride pra radioterapia, que é um investimento maior”, explicou, destacando que o espaço já reúne profissionais que podem atuar de forma integrada.
Ela também apontou um dos principais entraves para ampliar a assistência oncológica no interior. “ É difícil mobilizar oncologistas, principalmente pro interior. Você os encontra nas capitais, e o número de pacientes tem aumentado muito, a especialidade não tem acompanhado”, relatou. Cinthia contou que recebeu convites para atuar em diferentes cidades e atualmente atende em Uruaçu, onde há quimioterapia pelo SUS.
Sobre a estrutura necessária, a oncologista explicou que a quimioterapia exige equipe multiprofissional e ambiente adequado para preparo e infusão dos medicamentos. “Além do profissional e dos outros profissionais da área de saúde, eu tenho que ter farmacêutico com especialidade, enfermagem, salas com estrutura pra infusão da medicação. O maior investimento seria o que a gente chama de capela, que permite preparar os medicamentos sem que sejam contaminados”, esclareceu, observando que a radioterapia demanda aporte financeiro mais elevado.
Cinthia abordou a evolução no enfrentamento da doença ao longo dos anos. “O que mudou isso é o diagnóstico precoce. O segredo, principalmente na oncologia, é diagnosticar de preferência antes de dar os sintomas. Quando a gente diagnostica um tumor numa fase inicial, as chances de cura são muito altas”, disse. Ela ressaltou que campanhas de conscientização e exames preventivos têm contribuído para identificar casos em estágios iniciais.
Ao comentar o impacto da implantação do serviço na cidade, a médica chamou atenção para a rotina dos pacientes que precisam viajar. “Fazer com que esse paciente, além de enfrentar o diagnóstico, tenha que enfrentar viagens, às vezes semanais, não pode ir sozinho, tem que ir com acompanhante, mobiliza toda uma família. Se você pode ser acolhido dentro da sua cidade, no tamanho que Goianésia é, a gente não pode deixar passar mais tempo”, afirmou.
O pedido de implantação do tratamento oncológico completo foi apresentado na Câmara Municipal e encaminhado ao Governo de Goiás e à Secretaria de Estado da Saúde. A mobilização local ocorre em ano eleitoral, o que, na avaliação dos envolvidos, pode ampliar o debate junto às autoridades estaduais para que o projeto avance e atenda pacientes de Goianésia e cidades vizinhas.




