Delegado orienta pais a emitirem identidade nos primeiros dias de vida

Goianésia- O desaparecimento de crianças e adolescentes segue como um dos problemas mais graves da segurança pública no país. Dados consolidados de 2025 apontam um cenário alarmante, com milhares de registros ao longo do ano e crescimento expressivo desse tipo de ocorrência. Em Goiás, o tema também preocupa autoridades e famílias, diante do volume de casos contabilizados.

Números que preocupam

Em entrevista exclusiva à RVC FM, o delegado Marco Antônio Maia, titular da Delegacia de Barro Alto, aponta que os números mais recentes revelam a dimensão do problema. “Fechamos os dados de 2025 e chegamos a um índice assustador. No ano passado, a cada hora sumia sessenta e seis crianças e adolescentes no Brasil. O total foram 23.900 crianças e adolescentes que desapareceram no ano de 2025. No geral, o Brasil também bateu recorde, com 80 mil pessoas desaparecidas”, afirmou.

Ele chama atenção para o perfil das vítimas. “Quando a gente observa os relatórios, 61% dessas 23 mil são mulheres. Isso dá uma tendência muito clara de que muitas acabam sendo raptadas ou aliciadas para exploração sexual. É algo que entristece porque não estamos falando de teoria ou ficção, mas de uma realidade que atinge famílias em todo o país”, disse.

Exploração e vulnerabilidade

Ao falar sobre exploração sexual de crianças e adolescentes, o delegado citou um caso recente que ganhou repercussão nacional. “Recentemente o Brasil teve um caso chocante, que é o caso de Marajó, tem até um documentário muito bom na Netflix, explica isso. A gente acha que é coisa de filme, não é, está muito próxima da nossa realidade, infelizmente a gente vive numa sociedade que a gente tem que ter um cuidado muito grande com nossas crianças e adolescentes", alerta.

Prevenção começa na documentação

O delegado também alertou para a necessidade de documentação desde os primeiros dias de vida. “Hoje, com a identidade única e a coleta de digital já na maternidade, principalmente em Goiás, que é pioneiro nesse sistema, a criança passa a ter um registro que impede a emissão de outro documento com dados diferentes. Sem isso, há casos em que se consegue uma certidão falsa e se cria uma nova identidade. Com a digital cadastrada, isso não acontece”, explicou.

Agilidade e orientação às famílias

Outro ponto abordado é a agilidade na comunicação às autoridades. “Existe um mito de que é preciso esperar 24 horas para registrar ocorrência. Isso não é verdade. Sumiu, fugiu da rotina, perdeu o contato, a família deve procurar imediatamente a delegacia. Quanto menos tempo se perde, maiores são as chances de localizar”, orientou, acrescentando que as unidades em Goiás seguem protocolo específico para esse tipo de atendimento.

Marco Antônio Maia recomenda medidas preventivas no dia a dia. “Em locais de grande movimento, não se pode perder a criança de vista. É importante orientar para que não aceite nada de estranhos, que saiba o próprio nome, telefone e como pedir ajuda. Até os 12 ou 13 anos, é fundamental que esteja acompanhada por um adulto”, pontuou.

Sobre as possíveis motivações, ele citou investigações que indicam desde disputas familiares até crimes mais graves. “Infelizmente, há situações em que pessoas próximas participam do aliciamento. Também existem casos ligados à exploração sexual e até suspeitas envolvendo tráfico internacional. Parte significativa dos desaparecidos nunca é localizada, o que gera questionamentos sobre o destino dessas vítimas”, concluiu.