Goianésia-A inteligência artificial (IA) foi determinante para que a Polícia Civil de Goiás (PCGO) identificasse e prendesse dois suspeitos de um homicídio ocorrido recentemente em Goiânia. Com o uso de ferramentas tecnológicas para análise e cruzamento de dados, as equipes conseguiram direcionar buscas, agilizar diligências e localizar tanto os investigados quanto o corpo da vítima.
O caso foi investigado com o apoio do programa IA Contra o Crime, vinculado à Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO). As ferramentas permitiram a triagem de informações, o cruzamento de vestígios e a identificação de elementos relevantes para o inquérito, potencializando o trabalho das equipes e fortalecendo a atuação integrada da polícia.
Desaparecimento que revelou homicídio
O desaparecimento de Nilson Evangelista Gonçalves, de 54 anos, funcionário de uma pamonharia, deu início às investigações. Ele foi visto pela última vez em 7 de fevereiro de 2026, no Setor Residencial Itaipu, em Goiânia. Inicialmente tratado como possível desaparecimento voluntário, o caso foi registrado pelo Grupo de Investigação de Desaparecidos (GID).
Com o avanço das diligências, surgiram indícios de homicídio com ocultação de cadáver, e o inquérito foi transferido para a Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH). Segundo a investigação, Nilson foi retirado da própria residência mediante violência e transportado em um veículo utilizado na ação criminosa. O automóvel foi apreendido e submetido à perícia técnica, incluindo análise de material genético, vestígios biológicos e impressões digitais. Testemunhas relataram ameaças e tentativas de apagar imagens que poderiam auxiliar na elucidação do crime.
Prisões e localização do corpo
Neste mês de fevereiro, agentes da DIH prenderam o primeiro suspeito e cumpriram mandados de busca e apreensão. O segundo suspeito foi detido nesta semana, em Goianira. As diligências também levaram a polícia até o corpo da vítima, enterrado em uma área de mata, em Goiânia.
“O uso de soluções tecnológicas tem sido um importante aliado das nossas forças de segurança, ampliando a capacidade de análise e reduzindo o tempo de resposta às ocorrências. A tecnologia não substitui o trabalho policial, mas qualifica e potencializa a tomada de decisões, garantindo mais eficiência na proteção da sociedade”, destacou o subsecretário de Segurança Pública de Goiás, Gustavo Carlos Ferreira.
O delegado da PCGO, Danilo Wendel, também afirmou que ferramentas especializadas contribuem para dar mais celeridade às apurações e fortalecer a produção de elementos técnicos que embasam a investigação.
IA em investigações pelo país
O uso de inteligência artificial em investigações não é exclusivo de Goiás. Após megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) passou a apoiar a Polícia Civil do Rio de Janeiro com recursos tecnológicos, incluindo reconhecimento facial.
Em São Paulo, a Polícia Civil também utilizou IA recentemente para identificar um suspeito do homicídio de uma estudante na capital paulista, por meio de retrato falado gerado a partir de imagens de câmeras de segurança.
Regulamentação do uso de IA
O avanço dessas tecnologias ocorre paralelamente à regulamentação federal. Em 2025, o Ministério da Justiça e Segurança Pública publicou portaria que estabelece normas para o uso de soluções tecnológicas em investigações criminais e atividades de inteligência na segurança pública.
Assinada pelo ministro Ricardo Lewandowski, a medida define parâmetros para aplicação de IA por órgãos como Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Penal Federal, Força Nacional e secretarias vinculadas à pasta. Estados e municípios que utilizem recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública ou do Fundo Penitenciário Nacional devem seguir as diretrizes.
Entre as aplicações previstas estão a detecção de dispositivos móveis emissores de radiofrequência, o acesso a dados armazenados em aparelhos apreendidos, mediante controle judicial, o apoio na recaptura de réus, o cumprimento de mandados de prisão e a identificação de vítimas de crimes e pessoas desaparecidas.




