Homem relata abordagem considerada discriminatória e cobra mudanças

Goianésia- O designer Kelwin Roger, de 26 anos, afirma ter sido vítima de racismo em uma unidade da farmácia Nissei, localizada no bairro Vila Redenção, em Goiânia, na terça-feira (17). Segundo o relato, ele foi acusado injustamente de furto enquanto comprava fraldas geriátricas para a esposa, que está em trabalho de parto.

De acordo com Kelwin, ele havia saído da maternidade e foi até a farmácia acompanhado do pai. Após solicitar o produto a uma funcionária, a colaboradora buscou o item e os conduziu até o setor onde a mercadoria é cadastrada antes do pagamento. Nesse momento, outra funcionária teria feito a abordagem.

“Ela mandou eu esvaziar os bolsos e devolver o que eu tinha pegado. Perguntei o que eu tinha pegado, e ela disse que eu tinha roubado”, contou. O designer afirma que negou a acusação e exigiu que as imagens das câmeras de segurança fossem verificadas. “Eu pedi para puxarem a gravação na hora. Fiquei revoltado, porque era uma acusação muito séria.”

Segundo ele, inicialmente as funcionárias teriam resistido em checar as imagens, mas, posteriormente, o vídeo foi analisado e não constatou qualquer irregularidade. Mesmo diante disso, Kelwin relata que o tratamento não mudou. “A gerente disse que eu estava liberado, mas falou que se sentia em risco comigo ali perto”, afirmou.

O jovem sustenta que, no momento da acusação, apenas indicava um produto ao pai e não chegou a manusear mercadorias. Ele também disse que situações semelhantes já ocorreram em outros estabelecimentos. “Já passei por isso mais de uma vez, em supermercado, no shopping e até no condomínio onde eu morava.”

Kelwin acredita que a presença do pai, que é branco, influenciou na decisão de conferir as imagens de segurança. “Foi ele quem disse que eu não tinha pegado nada e que estava conversando com ele. Depois disso, resolveram verificar.”

Durante a abordagem, segundo o designer, as funcionárias mencionaram a possibilidade de acionar a polícia, o que não ocorreu. “Eu falei que poderiam chamar. Elas sabiam que estavam erradas e não chamaram”, declarou.

Até o momento, Kelwin não registrou boletim de ocorrência. Ele explica que a prioridade tem sido acompanhar o nascimento da filha. “Minha esposa está em trabalho de parto. Minha filha está nascendo agora. Por isso, ainda não fui à delegacia”, disse.

Abalado, ele relata que o episódio ganhou contornos ainda mais dolorosos por ter ocorrido no dia do nascimento da criança. “É humilhante. Nunca imaginei passar por isso num momento tão importante. Só penso que essas coisas precisam mudar.”

Posicionamento da Farmácia Nissei

Em nota, a rede de farmácias informou que, desde que tomou conhecimento do fato relatado pelo cliente, iniciou os procedimentos de averiguação e que o caso já se encontra no departamento de Recursos Humanos para providências internas. A empresa declarou que, independentemente do ocorrido, vai reorientar toda a equipe da loja sobre os procedimentos de atendimento.

A companhia afirmou, ainda, que possui como um de seus principais valores o respeito, o qual defende diariamente junto a colaboradores, parceiros, fornecedores e clientes. A rede acrescentou que conta com mais de 8 mil colaboradores, está presente em mais de 130 municípios e reúne profissionais de diferentes etnias, credos e convicções. Por isso, declarou que repudia qualquer tipo de discriminação ou atitude preconceituosa.