Goianésia- Um homem de 72 anos foi detido em Brasília em uma operação conjunta da Polícia Civil de Goianésia e da Polícia Civil do Distrito Federal. O mandado de prisão preventiva, cumprido nas últimas semanas, é resultado de uma investigação sobre furto qualificado mediante fraude. O suspeito é acusado de usar documentos falsos para se passar por outra pessoa em uma instituição financeira. Com indiciamentos desde 1987, ele teria realizado saques e a contratação de empréstimos consignados de forma fraudulenta, causando prejuízo superior a R$ 100 mil à vítima.
O delegado Álvaro Rodrigo Ferreira Resende, titular do GEPATRI, do GEIC, da Delegacia Municipal de Goianésia, da Subdelegacia de Jesúpolis e da Delegacia de Petrolina de Goiás, explicou a complexidade das investigações. “Hoje, com essa difusão dos crimes eletrônicos, da fraude eletrônica, utilizando a internet, a maioria dos criminosos não mora na cidade onde o crime foi praticado. Então, a gente depende muito das polícias de outros estados para ajudar nesse levantamento, tanto de informações quanto de localização dos autores”, afirmou.
Sobre a possibilidade de outras vítimas, o delegado declarou: “Até o presente momento, a gente não recebeu essa informação. Que existem, eu tenho certeza de que vai haver, porque, senão, ele não teria outros documentos falsos. Com certeza ele praticou outros crimes. Então, a gente está esperando que a divulgação da imagem dele surta efeito, para que novas pessoas o identifiquem e façam a denúncia, caso ainda não tenham denunciado”.
Resende também detalhou como o suspeito escolhe suas vítimas. “Ele não escolhe a vítima de forma aleatória. Além disso, ele também fez dois empréstimos no nome da vítima e sacou todo o dinheiro. Se o nome da pessoa estiver no Serasa, há a possibilidade de que empréstimos sejam feitos, mas isso precisa ser checado, e a polícia segue averiguando”, explicou.
O delegado comentou ainda sobre a origem das informações utilizadas pelo criminoso. “Trata-se de uma agência bancária de âmbito nacional. De qualquer estado ele pode ter obtido essa informação privilegiada, já que o sistema é único”, disse.
Quanto às medidas de proteção, ele orientou: “O que eu aconselho é que, se houver medidas de segurança oferecidas pelo banco, elas sejam utilizadas. A biometria é uma medida de segurança. Quando você vai ao banco para cadastrar a biometria, além de coletar as digitais, a instituição tira uma foto. Já aconteceu, por exemplo, em Petrolina, um caso semelhante, em que um indivíduo tentou fraudar precatórios ao ir a um cartório para fazer uma procuração falsa, utilizando documento verdadeiro com dados falsos. Como foi identificado? O cartório tinha a biometria da vítima e conseguiu constatar que ele não era a pessoa detentora daquele documento, o que resultou na prisão. Existem instrumentos de segurança que o banco oferece, como biometria, foto, algum tipo de outro cadastro e verificação em duas etapas. É essencial utilizar esses recursos hoje em dia”.
Sobre o comportamento das vítimas, o delegado ressaltou: “Às vezes, a pessoa que é vítima desse tipo de golpe fica com vergonha até de se apresentar ou de relatar o ocorrido. Não há motivo para isso. A polícia não está interessada em expor ou divulgar a vítima, mas em obter elementos para investigar os casos. O trabalho da polícia não é julgar o que aconteceu com a vítima, e sim investigar para prender o autor. Porque, assim como fez aqui, ele fez em outros lugares e, se não for preso, vai continuar praticando crimes”.
Durante a prisão, os policiais também encontraram um celular de origem ilícita em poder do suspeito, o que resultou em flagrante adicional pelo crime de receptação.




