Goianésia- Há mais de duas décadas, o Lar São Vicente de Paulo integra a rede de assistência social de Goianésia, acolhendo idosos em situação de vulnerabilidade e dependendo do engajamento da comunidade para manter a estrutura em funcionamento. Atualmente, a instituição enfrenta o desafio de equilibrar as contas mensais e investir em melhorias estruturais, como a construção de um novo espaço para o bazar permanente, uma das principais ações mantenedoras da entidade.
Interessados em contribuir com a campanha, fazer doações ou obter informações podem entrar em contato pelo telefone (62) 98473-8248.
Em entrevista exclusiva à RVC FM, o vice-presidente da entidade, Dr. Luciano Leão, explicou a dimensão desse desafio. “O Lar São Vicente de Paulo existe há muito tempo em Goianésia. Fruto de um compromisso, um comprometimento e um trabalho vocacionado aos vicentinos. Nós não temos uma renda própria. Ele vive de doações. Se nós não tivermos doações, fica muito difícil manter a entidade funcionando com qualidade, oferecendo aos idosos, hoje mais de 60, o que eles merecem nessa etapa da vida, em que são muito dependentes de ações de outras pessoas.”
Segundo ele, as despesas fixas exigem esforço contínuo da diretoria para garantir que os compromissos sejam quitados. “Considerando que nossa despesa mensal gira, em média, em torno de R$ 140 mil para manter o Lar funcionando, apresenta-se todo mês essa dificuldade em fecharmos os nossos pagamentos, as nossas despesas, nossos compromissos, principalmente da folha salarial, considerando que nós temos lá 23 pessoas contratadas via CLT, com todos os direitos trabalhistas garantidos.”
Em dezembro, conforme relatou, o valor chegou a R$ 190 mil por causa do décimo terceiro salário e outros encargos típicos do período.
Entre as receitas fixas estão repasses públicos e iniciativas próprias. “A prefeitura, por exemplo, mensalmente tem um compromisso conosco de R$ 16 mil, quer dizer, 10% do que nós necessitamos. A Jalles nos oferece também mensalmente uma ajuda, e nós temos o nosso bazar de roupas usadas e outros utensílios, que nos rende em torno de R$ 15 mil a R$ 20 mil por mês. Além disso, é correr todo mês atrás de doações. Então, é um trabalho leonino. Todo mês nós ficamos ansiosos, angustiados: será que vamos conseguir quitar pelo menos o salário das pessoas que lá estão?”, comentou.
O bazar permanente é hoje uma das principais fontes de receita, mas funciona de forma improvisada, em uma tenda montada na calçada em frente à instituição. “Uma das principais fontes de financiamento do lar hoje é o bazar, e nós entendemos que o bazar está numa situação física muito comprometida, precária mesmo. Fica na calçada, dificulta um pouco o trânsito das pessoas que necessitam da calçada para transitar e mesmo o atendimento dos compradores, que são muitos”, relatou.
A proposta da diretoria é construir um espaço interno, anexo ao prédio atual, com melhor organização e estrutura adequada para exposição dos produtos. “Já temos a planta, contamos com uma grande ajuda do Sicoob, que vai financiar essa despesa, e vamos colocá-la na parte interna, anexa ao lado da instituição. Ali vai ser tudo reformado para uma estrutura melhor.”
Para viabilizar a obra, a instituição lançou uma campanha que permite a contribuição em dinheiro ou com materiais de construção. “Decidimos estabelecer uma campanha no sentido das doações, que podem ser feitas para as entidades que estão nos vendendo o cimento, ou então pode ser, se quiser fazer em doação de valor pessoalmente na nossa secretaria, isso pode ser entregue, ou também o próprio saco de cimento, aí fica a critério de cada um.”
O valor sugerido é de R$ 37, equivalente ao preço de um saco de cimento. “É o valor que a gente pede de um saco de cimento, R$ 37,00, e dentro da sua possibilidade, do seu coração, da generosidade, fica a critério de cada um.”
Além das doações financeiras, o Lar também recebe roupas, calçados, móveis e eletrodomésticos para comercialização no bazar. “Nós temos como buscar as doações na residência onde elas estejam. O ideal sempre é a pessoa entrar em contato direto com o próprio bazar, para que seja feita, então, a confirmação e que sejam anotados os dados de localização e combinado o horário. Quanto a buscar, isso é tranquilo, que nós buscamos, e assim tem sido feito com frequência.”
Outra frente em andamento envolve a mobilização de contadores e contribuintes para destinar parte do Imposto de Renda à instituição. “No próximo dia 25, faremos uma reunião com os contadores de Goianésia solicitando que eles sejam parceiros do lar, no sentido de solicitar… nós sabemos que a legislação permite que 3% do imposto a pagar seja destinado para uma instituição como o lar. Até hoje isso não tem funcionado, acho que por falta de conhecimento.”
Ele lembra que o município passou a contar com o Fundo Municipal do Idoso, mecanismo que garante que os valores indicados pelo contribuinte sejam efetivamente direcionados à finalidade escolhida. A diretoria, formada por voluntários, mantém mobilização permanente para assegurar que os 64 idosos acolhidos tenham atendimento contínuo e condições adequadas de permanência na instituição.




