Internos eram mantidos contra a vontade; gerente e funcionário são presos em flagrante

Goianésia- A Polícia Civil de Goiás (PCGO) deflagrou nesta quarta-feira (10/09), uma operação em uma clínica de reabilitação particular localizada em Abadia de Goiás, na região metropolitana de Goiânia. O gerente e um funcionário da instituição foram presos em flagrante, suspeitos de manter pacientes internados ilegalmente, além de praticar agressões e maus-tratos.

A investigação começou após um dos internos conseguir fugir do local e denunciar o caso à polícia, há cerca de 20 dias. A vítima relatou ter sido levada à força por funcionários da clínica, sem qualquer autorização médica ou decisão judicial, e que teria sido agredida ao tentar fugir da internação.

A partir do depoimento, a Polícia Civil representou ao Poder Judiciário por um mandado de busca e apreensão, o que viabilizou a ação. A operação contou com o apoio da Vigilância Sanitária Municipal e da Secretaria de Assistência Social de Abadia de Goiás.

Durante a inspeção, os agentes constataram que a clínica funcionava sem a documentação necessária para realizar internações. Segundo o delegado André Veloso, responsável pelo caso, a instituição recebia pagamentos das famílias sem realizar qualquer triagem adequada dos pacientes.

De acordo com ele, os responsáveis simplesmente buscavam as pessoas em casa, sem verificar se havia dependência química ou indicação para internação compulsória. Veloso destacou que os internos eram recolhidos sem qualquer respaldo técnico, sendo mantidos contra a própria vontade.

Com as irregularidades comprovadas, a Vigilância Sanitária determinou o fechamento imediato da clínica, proibindo o recebimento de novos pacientes até que a documentação e as exigências legais sejam regularizadas. Os internos que estavam no local foram encaminhados à rede municipal de assistência social, onde receberão acompanhamento especializado.

A Polícia Civil informou que os dois presos vão responder pelos crimes de sequestro, maus-tratos, exercício irregular de atividade de saúde e outras infrações previstas em lei. As investigações continuam para apurar a responsabilidade de outros envolvidos e identificar possíveis novas vítimas.