Goianésia- João Vitor de Paiva Bittencourt, de 24 anos, fez história ao se tornar o primeiro aluno com síndrome de Down a concluir o curso de Educação Física na Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO). A formatura ocorreu na noite de quinta-feira (28/08), no Centro de Convenções da universidade, em um evento marcado por emoção e celebração da superação.
Apaixonado por esportes desde a infância, João Vitor transformou sua trajetória pessoal em inspiração para muitos. Seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), intitulado “Treinamento Resistido e Síndrome de Down”, foi baseado em sua própria experiência e em pesquisas sobre os impactos positivos da atividade física na qualidade de vida e saúde de pessoas com Trissomia 21 (T21). O estudo reforça a importância da prática regular de exercícios para o desenvolvimento físico e mental desse público.
“Quero mostrar que a atividade física é uma ferramenta poderosa para melhorar a vida das pessoas com síndrome de Down e ajudar a incluir todos em espaços esportivos e de saúde”, afirmou João Vitor. Seu objetivo, agora, é se especializar como personal trainer para trabalhar principalmente com crianças com deficiência, promovendo a inclusão e a qualidade de vida desde cedo.
A conquista do jovem vai muito além do diploma. João Vitor é conhecido nas redes sociais por seu trabalho em prol da inclusão, acumulando mais de um milhão de seguidores no Instagram e no TikTok. Ele atua também como palestrante, ator e modelo, e já foi reconhecido como Jovem Ativista do Unicef, além de ter recebido o Prêmio iBest na categoria Diversidade e Inclusão em 2024.
A trajetória do jovem foi marcada pelo apoio incondicional da família, que nunca duvidou de sua capacidade. João Bosco e Márcia Regina, seus pais, relataram que mesmo diante de avaliações médicas que indicavam limitações, João Vitor decidiu seguir estudando. “Uma psicopedagoga disse que ele tinha chegado ao teto, mas ele quis continuar, fez o ensino médio e passou em quatro universidades. Escolheu a PUC para cursar Educação Física”, contou o pai.
Para a mãe, o suporte emocional e a crença na capacidade do filho foram fundamentais para que ele enfrentasse os desafios. “Desde o nascimento do João, prometi que ele teria as mesmas oportunidades que qualquer outra criança. Acreditar nele fez toda a diferença”, disse Márcia Regina.




