Goianésia- O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) anunciou a abertura de um Procedimento Administrativo para Apuração de Ato de Concentração Econômica (APAC) após a denúncia de uma possível operação de fusão envolvendo o conglomerado britânico Anglo American e a MMG Limited, empresa australiana controlada pela estatal chinesa China Minmetals Corporation.
A transação em questão diz respeito à compra de duas unidades de extração e beneficiamento de níquel localizadas em Goiás, nas cidades de Niquelândia e Barro Alto. Além disso, também estão sendo negociados dois projetos em andamento no Pará e em Mato Grosso. O valor do negócio pode alcançar até US$ 500 milhões (aproximadamente R$ 2,7 bilhões), conforme anunciado pela própria Anglo American, que fechou um acordo de venda com a MMG Singapore Resources Pte. Ltd, uma subsidiária da MMG Limited.
A investigação em curso pelo Cade envolve uma análise detalhada de operações de concentração econômica, como fusões e aquisições, que não são obrigatórias de notificação, mas que podem gerar preocupações sobre possíveis riscos à concorrência. Embora o processo seja restrito, o objetivo é garantir que não haja impactos negativos ao mercado e à livre competição.
O caso tem gerado apreensão, especialmente entre representantes da indústria americana. O Instituto Americano de Ferro e Aço (AISI) expressou sua preocupação sobre a possibilidade de o controle do acesso ao níquel ser concentrado nas mãos de empresas chinesas, caso a venda seja concluída. Para o AISI, esse cenário poderia levar a China a obter influência direta sobre uma parcela significativa das reservas de níquel do Brasil, além de fortalecer sua posição dominante na produção do mineral na Indonésia, criando vulnerabilidades na cadeia global de suprimentos.
A questão do níquel, considerado um mineral crítico, tem repercussões diretas em setores estratégicos como tecnologia, defesa e transição energética. O minério é essencial para a produção de baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares e semicondutores, entre outros produtos. A aquisição das operações da Anglo American poderia intensificar a preocupação de países como os Estados Unidos com a dependência de um único fornecedor para esse recurso vital.
O governo dos EUA já manifestou sua apreensão sobre os impactos potenciais dessa negociação no fornecimento de minerais críticos para os fabricantes americanos, especialmente em um contexto de tensões comerciais envolvendo restrições de exportação por parte da China. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) está acompanhando o caso, com o intuito de avaliar os efeitos dessa operação sobre a cadeia de suprimentos global.




