Tecnologia e anonimato tornam investigações mais desafiadoras e complexas

Goianésia- Os crimes digitais têm se tornado uma preocupação crescente no Brasil, e no Vale do São Patrício não é diferente. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, mais de 2,1 milhões de estelionatos eletrônicos foram registrados em 2024, refletindo a migração de criminosos para o ambiente virtual. No Vale, a Polícia Civil intensifica as investigações para combater fraudes bancárias, golpes em aplicativos e crimes relacionados à clonagem de dados, que têm atingido principalmente moradores de cidades como Goianésia.

O delegado da Polícia Civil Marco Antônio Maia alerta para a crescente migração dos criminosos para o crime de estelionato, especialmente após o avanço da digitalização da sociedade. "Embora a gente comemore a queda dos índices de roubo e furto, isso não significa uma vitória. O que estamos vendo desde a pandemia, de 2020 para cá, é que os criminosos passaram a atuar mais no campo digital. No ano passado, foram registrados mais de 2 milhões de casos de estelionato eletrônico. A tendência é que o criminoso prefira esse tipo de crime, pois o risco de ser preso é muito menor", afirma Maia.

O delegado também destaca que, apesar da redução de crimes tradicionais como roubo e furto, os estelionatos têm aumentado significativamente. "Embora o número de roubos e furtos tenha caído, isso ocorre porque os criminosos passaram a optar pelo estelionato. Apenas 2,5% dos casos de estelionato chegam ao judiciário para julgamento, o que mostra a dificuldade de responsabilizar esses criminosos", explica.

Embora os números de crimes digitais continuem a crescer, especialistas apontam que a complexidade das investigações e a lentidão do sistema judiciário ainda geram uma sensação de impunidade. Os crimes digitais exigem perícias técnicas avançadas e, muitas vezes, esbarram no anonimato dos criminosos, que atuam de forma dispersa, em diferentes estados e até fora do país.

Para enfrentar esses desafios, a Polícia Civil tem investido em capacitação constante para seus agentes, além de novas ferramentas tecnológicas. A integração entre as delegacias da região também tem sido um ponto chave para agilizar as investigações e aumentar a eficácia no combate a esses crimes.


Marco Antônio Maia também comenta sobre a necessidade de uma maior agilidade na resolução dos casos. "É fundamental que as investigações sejam mais rápidas. Quando se identifica uma quadrilha, é preciso agir com rapidez para evitar que mais pessoas sejam vitimadas. Fico frustrado ao ver que, em alguns casos, o criminoso continua atuando por meses, ou até anos, antes de ser preso. A segurança pública precisa ser mais eficiente e ágil", destaca o delegado.