Goianésia - O Brasil enfrenta um dos períodos de estiagem mais severos das últimas quatro décadas. Em Goiás, já são mais de 115 dias sem registro de chuvas significativas, o que tem reduzido drasticamente a vazão dos rios e aumentado o consumo de água em função das altas temperaturas e da baixa umidade. Em Goianésia, a situação é motivo de alerta, e a Saneago pede que a população adote medidas urgentes de economia no uso da água.
De acordo com a Saneago, os sistemas de abastecimento seguem operando normalmente nos 223 municípios atendidos, mas a pressão sobre os mananciais é crescente. A superintendente de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da companhia, Camila Roncato, explica que a estiagem prolongada e a falta de recarga nos mananciais impõem riscos ao fornecimento. “Tivemos poucas chuvas no último período chuvoso, especialmente em novembro e dezembro do ano passado. Com as temperaturas elevadas, nossos mananciais não foram recarregados o suficiente. É fundamental que todos reduzam o consumo em casa ao essencial, para evitar o racionamento”, afirma.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), este é o nono maior período sem chuvas registrado no estado desde 1961. Em 2024, o número de dias sem precipitações em Goiás já quase dobrou em relação ao mesmo período do ano passado. A escassez hídrica afeta diretamente o abastecimento, o que torna o uso consciente da água uma necessidade imediata.
Moradora de Goianésia, a dona de casa Maria de Fátima relata as estratégias que adotou para evitar o desperdício. “Eu utilizo as três águas que saem da máquina. A primeira vai para o tanquinho, a segunda para bater o resto das roupas e a que tem amaciante eu guardo nos baldes para reutilizar. Aqui em casa somos quatro pessoas, então fazemos o possível para economizar”, conta.
Apesar do cenário crítico, a Saneago afirma que o abastecimento neste ano está mais seguro graças às ações preventivas adotadas antes do período seco. A companhia também destaca que, enquanto a média nacional de desperdício de água é de 37,8%, Goianésia apresenta índice de 25%, número considerado dentro da meta estabelecida pela legislação até 2033. Menos perdas na rede de distribuição significam mais água disponível para a população.




