Goianésia - Nesta quarta-feira (28), a Polícia Civil de Goiás deflagrou uma operação que resultou no cumprimento de 11 mandados de prisão temporária e 15 de busca e apreensão. As ordens judiciais foram expedidas contra investigados por envolvimento com organização criminosa e dois assassinatos de extrema violência, ocorridos nos bairros Residencial Real Conquista e Jardim Itaipu, na capital goiana, entre fevereiro e março deste ano.
As investigações apontam que os crimes foram executados como forma de intimidação e demonstração de controle por parte de uma facção que atua na região, conforme revelado pela corporação.
Denominada “Operação Descarrilhado”, a ação foi coordenada pela Delegacia Estadual de Investigações de Homicídios (DIH/PCGO) e tem como base os inquéritos referentes aos homicídios qualificados de duas vítimas: uma mulher de 22 anos, que foi decapitada e parcialmente queimada em março, e um homem de 27 anos, executado a tiros no mês anterior.
Segundo o delegado responsável pelo caso, Carlos Alfama, o jovem assassinado em fevereiro já havia sofrido agressões anteriores e era alvo constante de ameaças. De acordo com ele, a execução dependia apenas de uma autorização final por parte dos chefes da facção.
“Realizamos uma investigação que durou cerca de dois meses, durante a qual reunimos elementos suficientes para comprovar o vínculo dos suspeitos com o grupo criminoso. Com base nisso, solicitamos ao Judiciário a decretação das prisões, que foram autorizadas e agora permitirão o avanço das diligências e o interrogatório dos envolvidos”, explicou Alfama.
Como parte das provas reunidas, a Polícia Civil divulgou um áudio em que um suposto líder da facção ordena explicitamente a morte da jovem, dizendo: "(...) pode matar ela na cara dura, pra todo mundo ver. Pra todo mundo ver! E se tiver de madrugada, amarra no poste e põe é fogo! No meu nome, mano, é no meu nome, mano! Entendeu?".
Uma das pessoas apontadas como envolvida no assassinato da mulher chegou a ser detida após relatar informalmente sua participação a policiais militares. No entanto, a confissão foi desconsiderada judicialmente por não ser compatível com outros dados da investigação, o que levou à liberação do suspeito.




