Goianésia - Dois funcionários foram flagrados furtando pedras de fel bovinas em um frigorífico localizado no município de Cachoeira Alta, no sudoeste de Goiás. O crime aconteceu dentro da unidade de abate e foi registrado pelas câmeras de segurança do local. Os suspeitos foram detidos em flagrante após o supervisor perceber uma movimentação suspeita e acionar a equipe de segurança interna.
O flagrante mostra um dos funcionários recolhendo a substância do chão e tentando escondê-la discretamente. A dupla foi contida ainda dentro do frigorífico e conduzida à delegacia da cidade, onde vai responder por furto qualificado.
Mas o que torna esse material, aparentemente inusitado, tão cobiçado?
Segundo o médico-veterinário Turriceli Rezende, as chamadas "pedras de fel" são, na verdade, cálculos biliares que se formam na vesícula de bovinos, especialmente em animais mais velhos, como vacas leiteiras de descarte. “O uso principal dessa pedra é pela medicina chinesa para os tratamentos e a pedra de fel vem sendo empregada nesse sentido”, explica o especialista.
Após o abate, essas formações sólidas podem ser retiradas e, ilegalmente, vendidas por valores que impressionam: até R$ 300 por grama, de acordo com investigações da Polícia Civil. Raras e com grande procura no mercado asiático, especialmente na medicina tradicional chinesa, essas pedras são consideradas verdadeiros tesouros escondidos nos frigoríficos.
Além do valor elevado, o caráter incomum do produto reforça a necessidade de rigor nas operações. “Não é sempre que a gente encontra essas pedras, e normalmente elas aparecem em bovinos com mais de cinco ou seis anos”, destacou Turriceli.
O frigorífico afirmou que está colaborando com as investigações e já reforçou os protocolos de segurança para evitar novas ocorrências semelhantes. A Polícia Civil, por sua vez, ressaltou que a comercialização e o transporte das pedras de fel sem autorização legal configuram crime, e que a fiscalização sobre esse tipo de material será intensificada em todo o estado.




