Goianésia - A cada dois minutos, uma pessoa vítima de acidente de trânsito é atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil, de acordo com um levantamento recente do Ministério da Saúde. O número alarmante evidencia não apenas o impacto humano, mas também a crescente pressão sobre o sistema público de saúde, que já enfrenta dificuldades para lidar com essa demanda constante. Especialistas apontam que, para reduzir essas estatísticas, é urgente adotar políticas públicas mais eficazes e abrangentes.
O perito criminal Antenor Pinheiro alerta que a violência no trânsito é reflexo de uma política de mobilidade ineficiente. “A qualidade do trânsito nas cidades está diretamente ligada à execução de políticas públicas que racionalizem a circulação de veículos e pedestres. Precisamos de programas estruturados e eficazes para reduzir a mortalidade no trânsito”, explica. Ele ainda ressalta que, embora o Brasil tenha uma legislação federal sobre segurança rodoviária, muitos programas de segurança estão paralisados ou mal implementados, o que impede avanços significativos.
Os fatores mais comuns para os acidentes incluem o excesso de velocidade, o uso de celular ao volante e o consumo de álcool. Segundo Hermes Gonçalves, especialista em segurança viária, a conscientização é o primeiro passo para reverter esse cenário: “O trânsito precisa ser visto de forma ampla. É necessário integrar educação no trânsito, engenharia de tráfego eficiente e fiscalização rigorosa. A conscientização da sociedade sobre os perigos e a responsabilidade no trânsito pode reduzir drasticamente os acidentes.”
A faixa etária mais afetada por esses incidentes é a de jovens entre 20 e 39 anos, o que reflete uma urgente necessidade de campanhas educativas focadas nessa população. Além disso, a falta de conscientização e a imprudência no trânsito resultam em custos altíssimos para o SUS. Em 2023, mais de 350 milhões de reais foram gastos com internações hospitalares de vítimas de acidentes de trânsito, sobrecarregando ainda mais os recursos públicos.
A Dra. Rosa Steckelberg, médica especializada em saúde pública, destaca que o problema vai além do custo financeiro: “Esses acidentes não só causam um grande impacto no sistema de saúde, mas, mais grave ainda, resultam na perda de vidas. É urgente a implementação de políticas públicas intersetoriais que integrem saúde, trânsito e mobilidade urbana, com foco na prevenção e redução dos custos humanos e financeiros.”
Especialistas concordam que a solução envolve um conjunto de ações: mais fiscalização, infraestrutura adequada, campanhas educativas constantes e políticas públicas integradas. Embora o Brasil tenha avançado em algumas áreas, ainda ocupa uma das posições mais preocupantes na América Latina quando se trata de mortes no trânsito. Para reverter esse cenário, é necessário um esforço coordenado entre governo, sociedade e setor privado.
O desafio é grande, mas a implementação de medidas eficazes pode salvar vidas e reduzir o impacto de acidentes no cotidiano dos brasileiros. O que está em jogo é não apenas o futuro do SUS, mas também o futuro de milhares de famílias que sofrem as consequências dessa violência no trânsito.




