Goianésia - Um projeto que começou há 10 anos no coração do Vale do São Patrício, em Goiás, está prestes a transformar a paisagem agrícola da região. Fruto de uma iniciativa do Instituto Federal Goiano (IF Goiano) com apoio da FAPEG (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás), o experimento revelou cultivares de café arábica especial, com qualidade superior e alto valor de mercado.
O plantio experimental teve início em abril de 2015, no campus de Ceres, sob coordenação do professor Dr. Cleiton Mateus e com participação do respeitado pesquisador da Embrapa, Dr. Wellington. Foram testadas 35 cultivares, oriundas de diferentes regiões do Brasil, sob condições de irrigação controlada e manejo técnico rigoroso.
“Queríamos identificar quais cultivares teriam melhor desempenho no clima e solo da região. O resultado superou nossas expectativas, com 11 variedades apresentando produtividade até duas vezes maior que a média nacional”, destaca Cleiton Mateus.
As amostras foram submetidas à análise sensorial no IF do Espírito Santo, e todas obtiveram pontuação acima de 80, classificação mínima para cafés especiais. O valor agregado impressiona: enquanto uma saca de café convencional custa em torno de R$ 2.800, o café especial pode atingir valores superiores a R$ 40 mil em leilões internacionais.
“Esse tipo de café entra em um mercado premium, com compradores dispostos a pagar alto por sabor, aroma e características únicas. É uma oportunidade concreta de diversificação e valorização da agricultura goiana”, afirma o pesquisador.
A iniciativa também contou com o apoio do Sebrae, que oferece suporte técnico e estratégico para produtores interessados em adotar a cultura. A empresa Café Franciscano foi uma das primeiras a abraçar a ideia.
“Vimos o projeto numa palestra, estudamos o potencial e decidimos investir. Hoje, produzimos nossa própria matéria-prima com base científica e apoio técnico constante. É um passo importante para a indústria e para o futuro da nossa marca”, explica Ana Cristina Machado, gerente financeira da empresa.
Além de abrir novas possibilidades econômicas, o projeto também resgata a história do Vale do São Patrício, que entre as décadas de 1960 e 1970 foi uma das principais regiões produtoras de café do estado. Agora, com respaldo científico e visão de futuro, o café retorna ao cerrado como um símbolo de inovação, identidade regional e desenvolvimento sustentável.




