Hábitos de vida moderna têm grande influência

Goianésia-O crescimento no número de diagnósticos de câncer em jovens e crianças tem chamado a atenção da comunidade médica em diferentes países. Segundo o oncologista Diego Machado Mendanha, fatores relacionados ao estilo de vida, às mudanças ambientais e ao maior acesso a exames contribuem para a identificação precoce da doença, mas não explicam completamente o aumento observado.

“Por um lado, o acesso à tecnologia e aos exames melhorou, permitindo diagnósticos mais precoces. Mas isso não explica tudo. Estudos globais mostram um salto de quase 80% nos casos de câncer em pessoas com menos de 50 anos entre 1990 e 2019. Ou seja, o aumento é real, e a doença tem se apresentado de forma mais agressiva”, explica.

O médico destaca que os tumores em jovens tendem a ser diagnosticados em estágios mais avançados e, muitas vezes, envolvem subtipos mais graves, como o câncer de mama triplo negativo e o câncer colorretal em pacientes mais jovens. “O perfil do paciente está mudando, atingindo pessoas em plena fase produtiva da vida. Na faixa etária pediátrica, os tumores mais comuns são leucemias, linfomas e tumores do sistema nervoso central. Entre mulheres jovens, o câncer de mama lidera os diagnósticos, e outro tumor que preocupa é o colorretal”, completa.

Estilo de vida e fatores de risco

Segundo Mendanha, hábitos de vida moderna têm grande influência. Entre os fatores investigados pela ciência estão o consumo de alimentos ultraprocessados, o sedentarismo, a exposição prolongada a telas, a poluição ambiental e alterações no padrão de sono.

“O estilo de vida é um grande vilão. A maioria dos tumores em jovens não é hereditária, mas resultado de hábitos que começam cedo. A obesidade cria um processo inflamatório crônico, elevando o risco de alguns tipos de câncer. Associada à falta de exercício, aumenta ainda mais esse risco. Dietas ultraprocessadas, bebidas açucaradas e baixa ingestão de fibras também estão correlacionadas. A desregulação da microbiota intestinal pode contribuir para o desenvolvimento de alguns tumores”, afirma.

O especialista cita ainda fatores como álcool, tabagismo, uso de vapes e narguilés, estresse e sono insuficiente como agravantes. Ele alerta: “O maior inimigo do jovem na luta contra o câncer é ignorar sinais de alerta.”

Atenção aos sintomas

Alguns tipos de tumores têm aumentado entre adolescentes e jovens adultos, reforçando a necessidade de atenção a sintomas persistentes, como perda de peso inexplicável, dores contínuas, fadiga excessiva, sangramentos e alterações no organismo.

“Existe a falsa premissa de que jovens não podem ter doenças graves. Isso faz com que pacientes cheguem ao consultório com tumores avançados, reduzindo drasticamente as chances de cura, que chegam a quase 90% quando a doença é descoberta no início. Sintomas como perda de peso inexplicável, cansaço extremo, sangue nas fezes, mudanças no padrão intestinal, nódulos de crescimento rápido, dores abdominais e sensação frequente de inchaço devem ser sinais de alerta”, destaca.

O oncologista reforça que o diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento. Pais e responsáveis devem manter acompanhamento médico regular das crianças, enquanto jovens devem procurar avaliação ao notar sintomas persistentes.