Goianésia- A alienação parental é um problema que atinge famílias em diferentes contextos e impacta diretamente o desenvolvimento de crianças e adolescentes. Prevista na legislação brasileira, essa prática ocorre quando um dos responsáveis interfere na relação do filho com o outro, provocando afastamento e prejuízos emocionais. O tema, muitas vezes associado a casos de grande repercussão, faz parte da realidade de muitas famílias.
De acordo com o advogado especialista em Direito de Família, Lucas Bastos, a situação é mais comum do que se imagina e pode ocorrer no cotidiano local. “Infelizmente, é uma realidade com a qual nos deparamos diariamente. Muitas vezes vemos isso na televisão ou nas redes sociais e pensamos que está distante, mas acontece aqui no nosso meio, dentro das famílias, e, em muitos casos, as pessoas não percebem que estão vivenciando esse tipo de situação”, afirma.
Como a prática se manifesta
A alienação parental pode se manifestar de diversas formas, como críticas constantes ao outro responsável, interferência no convívio e até manipulação emocional da criança. Ao longo do tempo, esses comportamentos podem gerar mudanças perceptíveis na rotina dos filhos, afetando não apenas a relação familiar, mas outras áreas da vida.
Segundo o especialista, os sinais costumam aparecer no comportamento da criança ou do adolescente. “Normalmente, há um afastamento em relação ao genitor que está sendo prejudicado. A criança passa a não querer ir para a casa do pai ou da mãe, apresenta mudanças de comportamento, dificuldades de relacionamento e até queda no desempenho escolar. São indícios que exigem atenção, pois podem estar ligados a esse tipo de prática”, explica.
Medidas legais e atuação da Justiça
No campo jurídico, existem medidas que podem ser adotadas quando não há acordo entre as partes. O Judiciário pode intervir em diferentes níveis, conforme a gravidade do caso, sempre com foco na proteção do bem-estar da criança.
“O processo pode começar com medidas mais leves, como advertência, e avançar para situações mais severas, como aplicação de multa, alteração do regime de convivência e até mudança de guarda. Em casos extremos, pode haver perda da guarda ou mudança de residência, sempre considerando o que for melhor para a criança”, pontua Lucas Bastos.
Provas e análise dos casos
Para que haja uma avaliação adequada, é necessário apresentar provas que demonstrem a ocorrência da alienação. Registros de conversas, áudios e o acompanhamento da rotina da criança podem contribuir para a análise do caso.
“São utilizados diversos meios de prova, como mensagens, áudios e avaliações realizadas pela própria Justiça, incluindo estudos psicossociais e acompanhamento psicológico. Além disso, é fundamental que o genitor participe da vida escolar e social do filho, pois isso ajuda a compreender a realidade e a comprovar situações dentro do processo”, detalha.
Conflitos entre os pais e impactos nos filhos
O advogado chama atenção para o fato de que muitos conflitos têm origem em relações mal resolvidas entre os adultos, o que acaba refletindo diretamente nos filhos. Em diversas situações, a criança é colocada no centro de disputas que não dizem respeito a ela.
“Grande parte desses casos não tem relação direta com a criança, mas sim com conflitos entre os pais. Muitas vezes, trata-se de um relacionamento que terminou de forma conturbada, e o filho acaba sendo utilizado como instrumento nessas disputas. Isso gera consequências emocionais relevantes e precisa ser evitado”, afirma.
Realidade local
Em Goianésia, a situação não é diferente. Casos relacionados ao tema chegam com frequência aos escritórios e ao sistema de Justiça, evidenciando que a alienação parental está presente no cotidiano da comunidade.
“Temos diversos casos na cidade. Muitas pessoas acreditam que isso só acontece com figuras públicas ou em grandes centros, mas está dentro das nossas famílias, entre vizinhos, e precisa ser debatido com mais atenção para evitar prejuízos às crianças e adolescentes”, conclui.




