Especialistas apontam crescimento da presença feminina no Direito e discutem desafios da carreira

Goianésia-O mês de março, marcado pelas reflexões em torno do Dia Internacional da Mulher, também abre espaço para debates sobre a presença feminina em diferentes áreas profissionais. No Direito, a participação das mulheres tem avançado de forma consistente nas últimas décadas, ampliando a representatividade e abrindo caminhos para novas trajetórias dentro da advocacia. O tema foi abordado em uma edição especial do quadro Minutos da Aposentadoria, dedicada ao Dia das Mulheres, com a participação das advogadas previdenciaristas Driene Gonzaga e Stéffany Pacheco.

Avanços na presença feminina no Direito

A ampliação da presença feminina no meio jurídico acompanha transformações sociais que permitiram maior inserção das mulheres em ambientes que, por muito tempo, foram ocupados majoritariamente por homens. Atualmente, a atuação feminina se consolida em diferentes áreas do Direito e também passa a ocupar espaços em instituições e posições de liderança.

“Nessas últimas décadas, sem dúvidas, um dos principais direitos das mulheres foi a inserção em meios importantes, em espaços que antes eram dominados por homens. Hoje a gente vê uma presença das mulheres, principalmente no STF, em cargos, na advocacia e na OAB. Temos dados recentes mostrando que nós, mulheres, somos maioria, entre 51% e 52%, o que mostra um avanço muito grande, embora ainda haja espaço para crescer nos cargos de liderança”, afirma Driene.

Crescimento na advocacia previdenciária

Na advocacia previdenciária, essa presença também tem se fortalecido ao longo dos anos. A atuação feminina no setor acompanha o movimento de ampliação da participação das mulheres no mercado de trabalho e a construção de carreiras cada vez mais consolidadas na área jurídica.

“As mulheres, com o passar do tempo, têm lutado pelo seu espaço e batalhado dia a dia para se inserir no mercado de trabalho. O Direito, especialmente o previdenciário, tem sido cada vez mais conquistado pelas mulheres. Muitas de nós trazemos uma sensibilidade maior no atendimento e no cuidado com cada caso, o que também contribui para essa presença cada vez mais significativa na advocacia”, comenta Stéffany.

Desafios presentes na profissão

Mesmo diante dos avanços, a rotina profissional ainda apresenta desafios. Em muitos contextos, advogadas relatam a necessidade de reafirmar constantemente a própria competência para garantir reconhecimento dentro do ambiente jurídico.

“Um dos principais desafios é que nós precisamos provar nossa competência mais de uma vez. Muitas vezes, apenas por sermos mulheres, nossa capacidade é colocada em dúvida. Em algumas situações, precisamos ser mais firmes ao falar ou ao nos posicionar, algo que nem sempre acontece com os homens no mesmo ambiente profissional”, explica Stéffany.

Respeito e reconhecimento no ambiente profissional

Situações relacionadas ao tratamento recebido no ambiente de trabalho também fazem parte da experiência de muitas profissionais. Em determinados contextos, a postura firme ainda se torna necessária para garantir respeito e reconhecimento no exercício da advocacia.

“O homem, ao chegar a um ambiente profissional, muitas vezes já recebe automaticamente o respeito pela função que exerce. A mulher, em algumas situações, precisa demonstrar duas vezes mais firmeza para que sua atuação seja reconhecida. Ainda assim, percebemos avanços importantes, e muitos ambientes já apresentam relações profissionais baseadas no respeito”, relata Driene.

Desafios no início da carreira

Os desafios também podem surgir no início da carreira, quando jovens advogadas enfrentam questionamentos relacionados à experiência e à credibilidade profissional.

“Quando estamos começando, sendo jovens e mulheres, às vezes as pessoas olham e acreditam que você ainda não tem experiência suficiente. Já vivi momentos em que perguntas feitas durante uma audiência eram recebidas com certa desconfiança, como se fosse necessário provar que eu realmente tinha conhecimento sobre o que estava fazendo”, comenta Driene.

Maternidade e carreira

Outro aspecto presente na trajetória de muitas profissionais é a conciliação entre a vida profissional e a maternidade. Driene Gonzaga tornou-se mãe recentemente e relata que a nova fase exige adaptação constante para equilibrar responsabilidades e rotina de trabalho.

“Estou vivendo a experiência da maternidade agora, com um bebê de dois meses, e aprendendo todos os dias como conciliar essa nova fase com a advocacia. Existe sempre aquela sensação de que talvez você não esteja conseguindo se dedicar totalmente a uma das áreas, mas o importante é fazer tudo com amor e entender que esse processo também envolve aprendizado e adaptação.”

Participação feminina e novos espaços

Para Stéffany Pacheco, o avanço da presença feminina no Direito depende da continuidade da participação das mulheres em espaços de decisão e liderança dentro da profissão. “Acredito que precisamos continuar ocupando espaços e cargos de liderança, mostrando que a presença feminina não é exceção. Lugar de mulher é onde ela quiser estar, e por isso é importante perder o medo de se posicionar, defender opiniões e mostrar a capacidade que temos dentro da profissão”, conclui.