28,1% das crianças estão acima do peso ideal

Goianésia- Um levantamento do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde da Fiocruz Bahia (Cidacs/Fiocruz Bahia) revelou que crianças brasileiras apresentam disparidades significativas no crescimento e no peso, com destaque para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O estudo analisou cerca de 6 milhões de registros de crianças, desde o nascimento até os 9 anos, cruzando informações do Cadastro Único (CadÚnico), do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc) e do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan).

A pesquisa indica que crianças indígenas e de alguns estados do Norte e Nordeste têm, em média, altura abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre os fatores apontados para essa diferença estão falhas na atenção à saúde, alimentação inadequada, maior incidência de doenças, baixo nível socioeconômico e condições ambientais precárias.

Apesar das dificuldades, outro fenômeno chama a atenção: cerca de 30% das crianças brasileiras apresentam sobrepeso ou estão próximas dessa condição. O Centro-Oeste é uma das regiões mais afetadas, com 28,1% de sobrepeso e 13,9% de obesidade, ficando atrás apenas do Sul, que registra 32,6% e 14,4%, respectivamente. O Norte apresenta 20% de sobrepeso e 7,3% de obesidade; o Nordeste, 24% e 10,3%; e o Sudeste, 26,6% e 11,7%.

Embora a altura média das crianças brasileiras esteja dentro do esperado, o ganho excessivo de peso preocupa especialistas. O estudo utiliza as curvas de crescimento da OMS, considerando, como referência, meninos de 9 anos com peso entre 23,2 kg e 33,8 kg e altura entre 124 cm e 136 cm, e meninas de 9 anos com peso entre 23 kg e 33 kg e altura entre 123 cm e 135 cm.

Os pesquisadores também destacam o impacto crescente do consumo de alimentos ultraprocessados no aumento do sobrepeso infantil. A atenção pré-natal e pós-natal, especialmente na atenção primária à saúde, é apontada como estratégia essencial para prevenir tanto déficits de crescimento quanto obesidade.

No cenário internacional, o Brasil ocupa posição intermediária no ranking de obesidade infantil, com índices abaixo de países como Chile, Peru e Argentina. Especialistas alertam que a tendência de crescimento do sobrepeso exige monitoramento constante, principalmente em regiões como o Centro-Oeste.