Início do ano concentra pedidos e pode ampliar prazo para agendamento

Goianésia- O aumento da procura por benefícios por incapacidade costuma marcar os primeiros meses do ano e pressionar o sistema de agendamentos do Instituto Nacional do Seguro Social. Com maior demanda, também crescem as dúvidas sobre documentação, prazos e critérios exigidos para a concessão.

No quadro semanal Minutos da Aposentadoria, a advogada previdenciarista Driene Gonzaga explicou como está o calendário das perícias médicas em 2026 e quais cuidados podem evitar atrasos ou indeferimentos.

Segundo ela, janeiro e fevereiro concentram um volume maior de pedidos.

“Janeiro e fevereiro costumam ter grande procura. Muita gente que adiou o pedido em dezembro, por conta das festividades, acaba solicitando agora. Por isso, é comum que as agendas fiquem mais cheias e o prazo para a perícia seja um pouco maior.”

Diante desse cenário, a orientação é não postergar o requerimento.

“A dica é fazer o pedido assim que houver o afastamento médico ou a recomendação de recuperação. Não espere a situação agravar.”

Documentação adequada

A especialista alertou que um atestado simples raramente é suficiente para comprovar incapacidade laboral.

“O ideal é apresentar laudo médico detalhando o CID da doença, descrição da limitação para o trabalho, exames recentes e, se possível, um relatório indicando por quanto tempo será necessário o afastamento. Quanto mais claro estiver que não consegue exercer a atividade, maior a chance de aprovação.”

Ela também destacou que existem hipóteses de atendimento prioritário.

“Pessoas com mais de 60 anos, com doenças graves ou deficiência, podem ter prioridade. Isso precisa estar comprovado nos documentos.”

Em determinados casos, o próprio INSS tem ampliado a análise documental, inclusive sem necessidade de perícia presencial.

“Em muitos casos, há análise apenas pelos documentos enviados. Mas isso depende da situação e da qualidade das informações apresentadas.”

Erros no agendamento

Outro ponto de atenção envolve o preenchimento correto do pedido no aplicativo Meu INSS.

“Muita gente entra no Meu INSS e seleciona o serviço errado. Marca pedido de prorrogação quando deveria fazer novo pedido, solicita aposentadoria quando o caso é auxílio ou agenda perícia para benefício diferente do necessário. Isso pode atrasar o processo por meses.”

Antes de concluir o requerimento, a recomendação é revisar cuidadosamente a opção escolhida.

Critérios técnicos

Driene reforçou que o segurado deve verificar se mantém a qualidade de segurado e se cumpriu a carência mínima exigida para o benefício.

“Confirme se ainda tem qualidade de segurado, se cumpriu a carência quando exigida, organize os documentos antes do pedido, chegue com antecedência à perícia presencial e seja claro ao explicar suas limitações.”

Ela ressaltou que a avaliação não se limita ao diagnóstico clínico.

“A perícia não analisa apenas a doença, mas a incapacidade para o trabalho. Se a pessoa não consegue exercer a atividade profissional normalmente, pode ter direito ao benefício.”

Possibilidade de recurso

Por fim, a advogada lembrou que a negativa administrativa não encerra as alternativas do segurado. “Se for negado, é possível apresentar recurso administrativo ou buscar a via judicial. Existem caminhos para que a pessoa não desista e possa tentar obter o benefício.”

Com a demanda elevada neste início de ano, especialistas orientam planejamento e organização para evitar erros que possam comprometer a análise do pedido.