Goianésia- A Meta registrou uma patente de inteligência artificial capaz de manter contas de redes sociais ativas mesmo após o falecimento do usuário. Segundo o documento, o sistema seria treinado com dados pessoais do titular, incluindo publicações, comentários, curtidas e outras interações digitais. Com essas informações, a IA poderia atuar como um substituto digital, respondendo a mensagens, reagindo a conteúdos e até simulando interações em chamadas de áudio ou vídeo.
O objetivo, de acordo com a patente, seria reduzir o impacto da ausência prolongada do usuário nas plataformas. Para criadores de conteúdo ou perfis que dependem de engajamento constante, a tecnologia poderia manter a atividade digital durante períodos de inatividade ou após a morte do titular da conta.
Debate ético sobre perfis digitais pós-morte
Especialistas em direito digital e ética apontam que a proposta levanta questões sobre consentimento, identidade digital e uso de dados pessoais após a morte. “Sistemas desse tipo podem utilizar informações de pessoas falecidas sem autorização explícita, gerando questionamentos legais e sociais”, afirma a pesquisadora em ética digital Helena Rocha.
Outra preocupação envolve o uso comercial dessas tecnologias. Perfis simulados poderiam continuar gerando engajamento e dados, ampliando a coleta de informações pelas plataformas, mesmo após o falecimento do usuário.
Tecnologias semelhantes e o mercado de luto digital
A Meta ressaltou que não há planos confirmados para implementar a tecnologia descrita na patente e que o registro não significa desenvolvimento comercial imediato. Empresas como a Microsoft já registraram projetos semelhantes, desenvolvendo chatbots que simulam indivíduos falecidos a partir de dados digitais.
Startups especializadas em tecnologia de luto digital também vêm explorando soluções que permitem a interação com versões virtuais de pessoas falecidas. Especialistas projetam que esse mercado deve crescer significativamente na próxima década, à medida que a presença digital se torna cada vez mais central na vida das pessoas.




