Goianésia- Mesmo com maior acesso à informação e à rede pública de saúde, muitas mulheres ainda adiam a realização de exames preventivos. A detecção precoce de alterações no colo do útero é uma das principais estratégias para reduzir casos e mortes por câncer ginecológico, e o exame de Papanicolau segue como ferramenta central nesse processo.
O médico ginecologista e obstetra Leonardo Gebrim explica que o procedimento é simples, rápido e capaz de identificar alterações celulares ainda em estágio inicial.
“Papanicolau foi um cientista grego que descobriu esse exame no começo do século passado, então o exame leva o nome dele, mas nada mais é do que coletar, em consultório, as células com uma escova e uma espátula do colo do útero, e essas células são avaliadas a fim de se detectar alterações precoces. É um dos exames que tem melhor acuidade na detecção de câncer. Se os cânceres tivessem um exame tão simples para serem detectados como é a coleta da citologia das células do útero, com certeza nós teríamos menos casos de câncer”, explica.
Segundo o especialista, a principal vantagem do exame é a possibilidade de identificar lesões muito pequenas, antes que provoquem sintomas ou evoluam para quadros mais graves.
“É uma detecção de alteração celular tão pequena que ainda não tem nenhuma repercussão, ainda não fez nenhum mal para a paciente e que pode mudar totalmente o tratamento. Pode tirar apenas um pedacinho de meio centímetro, por exemplo, e já está curado. É muito importante frisar que o exame preventivo, o Papanicolau, é um exame para a detecção de câncer e não de corrimento. O achado de corrimento é um achado habitual que pode acontecer”, afirma.
Leonardo Gebrim também esclarece que nem toda alteração identificada significa câncer, mas sim um alerta para acompanhamento e tratamento adequado.
“Nem toda alteração no Papanicolau é câncer. Na verdade, o exame serve para que estágios iniciais de alterações celulares, bem no começo, sejam descobertos e o tratamento seja feito da forma mais simples possível. Em geral, o exame é feito todos os anos, mas existe a recomendação de que, após três resultados negativos consecutivos, a mulher possa passar a fazer a cada dois anos. Em algumas situações especiais, pode ser necessário realizar a cada seis meses. A mulher que deve fazer o Papanicolau é aquela que tem vida sexual ativa. O Ministério da Saúde recomenda que a primeira coleta seja feita três anos após o primeiro contato sexual”, comenta.
Em Goianésia, o exame é ofertado pelo Sistema Único de Saúde. A solicitação pode ser feita durante consulta médica nas Unidades Básicas de Saúde distribuídas pelos bairros do município.




