Informação é fundamental para reduzir riscos e salvar vidas

Goianésia-O Fevereiro Laranja é a campanha dedicada à conscientização sobre a leucemia, um tipo de câncer que afeta a medula óssea e compromete a produção de células sanguíneas. A iniciativa busca informar a população sobre os sinais da doença e reforçar a importância do diagnóstico precoce, que amplia de forma significativa as chances de sucesso no tratamento.

De acordo com o médico hematologista Marcelo Rocha, a leucemia é uma doença grave, especialmente nos casos agudos, e muitas vezes pode ser confundida com outros problemas de saúde, o que dificulta a identificação inicial.

“A doença em si é muito grave, principalmente quando falamos das leucemias agudas. As leucemias crônicas, como o próprio nome diz, hoje são doenças que conseguimos controlar com muito mais facilidade do que há dez anos. Já as leucemias agudas têm evolução rápida e, muitas vezes, mascaram outros diagnósticos. Por isso, campanhas de conscientização são tão importantes”, explica.

O médico alerta que sintomas fora do padrão habitual devem ser investigados com atenção por profissionais de saúde. “Quando uma doença foge do comum, muitas vezes o diagnóstico não é aquele que se imagina inicialmente. As leucemias agudas têm alta mortalidade, mas, quando diagnosticadas de forma precoce, o tratamento é mais eficaz e apresenta menos complicações”, destaca.

Marcelo Rocha também ressalta que, diferentemente de outros tipos de câncer, não há métodos eficazes de prevenção para a leucemia. “Não existe uma prevenção como no câncer de mama ou no câncer do colo do útero. As leucemias surgem de forma abrupta, como uma avalanche, e o que define o tratamento é a biologia da doença”, afirma.

Entre os sinais mais comuns da leucemia estão cansaço excessivo, palidez, febre persistente, perda de peso sem causa aparente, além de sangramentos ou hematomas frequentes. O diagnóstico é realizado por meio de exames de sangue e da medula óssea, que permitem identificar o tipo da doença e direcionar o tratamento adequado.

Segundo o hematologista, os avanços da onco-hematologia têm transformado o prognóstico dos pacientes. “Hoje, entendemos melhor a biologia da doença. Em alguns casos de leucemia mieloide aguda, por exemplo, existe uma mutação chamada FLT3, que pode ser tratada com medicamentos orais associados à quimioterapia. Em outros casos, o tratamento é completamente diferente”, explica.

Ele destaca a evolução das chamadas terapias-alvo. “É como um remédio com GPS. Ele vai direto na célula doente, sem destruir toda a medula óssea. A onco-hematologia avançou muito nos últimos dez anos. Doenças que antes levavam à morte em poucos meses hoje apresentam chances reais de cura”, afirma.

Além da conscientização sobre sintomas e diagnóstico, o Fevereiro Laranja também reforça a importância da doação de medula óssea. O transplante pode ser a única alternativa de cura para muitos pacientes. Instituições como o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea incentivam a inscrição de voluntários, já que a compatibilidade genética é rara e fundamental para o sucesso do procedimento.