Especialistas destacam a urgência de programas de educação neste âmbito

 

 

Goianésia - Mais da metade dos brasileiros admite que não reserva tempo para revisar salários, contas ou planejar o futuro financeiro. A falta de controle sobre o orçamento pessoal tem se tornado cada vez mais comum, o que acende um alerta sobre os impactos dessa negligência no equilíbrio econômico das famílias.

O economista Daniel Carvalho explica que os juros altos são hoje o principal fator que agrava o endividamento no país. “Estamos falando de taxas que ultrapassam 400% ao ano. Grande parte das pessoas que utilizam o rotativo do cartão de crédito não percebe que está pagando um dos juros mais altos do mundo. Além disso, 21% dos entrevistados afirmam ter ao menos uma fatura em atraso, e 29% já tiveram o nome negativado por falta de pagamento”, comenta.

De acordo com um levantamento do SPC Brasil, em parceria com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), 58% dos consumidores não dedicam tempo, nem mesmo ocasionalmente, para controlar as finanças. Outro estudo revela que 54% dos brasileiros não têm o hábito de buscar informações sobre educação financeira, um reflexo da baixa cultura de planejamento no país.

Para Carvalho, o crédito, quando usado com consciência, pode ser um aliado na reorganização das contas. “Há vantagens, como menor burocracia na abertura de contas, emissão facilitada de cartões e taxas mais acessíveis. No entanto, é preciso cuidado: 88% dos consumidores com cartão de crédito possuem mais de um, e a principal justificativa é aumentar o limite, o que pode ampliar o risco de endividamento”, explica.