Goianésia - Falar sobre suicídio ainda é um grande tabu dentro de muitas famílias e escolas brasileiras. O silêncio, no entanto, pode custar caro. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio já é a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos em todo o mundo. No Brasil, o problema é ainda mais alarmante: o país ocupa o oitavo lugar no ranking global de suicídios.
Para o professor Carlos Ambrósio, a escola tem um papel essencial na prevenção. Ele defende que o ambiente escolar é propício para acolher os adolescentes e promover conversas que abordem a saúde mental de forma natural e contínua. “Estamos no Setembro Amarelo, tempo de atenção e cuidado com o suicídio. No Brasil, são cerca de 32 casos por dia, número superior ao de mortes por AIDS e câncer. E ainda há subnotificações, pois muitas certidões de óbito omitem a real causa da morte para preservar a família”, explica.
Carlos destaca que o suicídio raramente ocorre sem sinais prévios. “Acredita-se que nove em cada dez casos poderiam ser evitados. Para cada suicídio, há cerca de 16 tentativas anteriores. Muitos jovens se automutilam, ingerem grandes quantidades de remédios ou adotam outros comportamentos de risco antes de uma tragédia definitiva”, detalha.
A escola, segundo ele, pode ajudar a quebrar o silêncio. “É possível inserir o tema no plano de ensino, promover rodas de conversa e criar um espaço de escuta. Isso aproxima o estudante da reflexão e permite que ele compartilhe seus dilemas de forma direcionada. Mas essa atenção não deve ficar restrita ao mês de setembro. Como educador, estou sempre atento à saúde mental dos meus alunos, o ano inteiro”, afirma.
O professor também alerta que mudanças repentinas de comportamento e humor entre os estudantes devem acender um sinal de alerta entre os educadores. “Se o jovem não quiser falar em público, é importante que ele saiba que pode conversar com o professor em particular. A escola pode intervir, aconselhar e, se necessário, encaminhar o aluno a um psicólogo. Palestras e momentos de reflexão também são importantes para abrir espaço para o desabafo e o acolhimento.”
A orientação é corroborada por especialistas: o diálogo pode abrir caminhos que afastam a ideia do suicídio. Ouvir com empatia e oferecer alternativas concretas são passos fundamentais para ajudar alguém em sofrimento. “Como disse o psiquiatra Augusto Cury, o suicida está à procura de uma solução para os seus problemas. É preciso conversar, ouvir e mostrar soluções que valorizem a vida e a alegria”, finaliza Carlos.




