No Setembro Amarelo, especialistas reforçam a importância de ambientes corporativos seguros, canais de denúncia e apoio psicológico aos colaboradores

Goianésia- Com a chegada do Setembro Amarelo, a saúde mental no ambiente de trabalho volta ao centro das discussões. Nos últimos meses, tem aumentado o número de denúncias e relatos de assédio moral entre trabalhadores, um problema grave, que pode causar sofrimento emocional, ansiedade, depressão e, em casos extremos, contribuir para o suicídio.

A psicóloga Andressa Nara destaca que muitos casos de adoecimento psíquico e suicídio têm origem no ambiente profissional.

“Um ambiente de trabalho física e psicologicamente seguro protege não apenas contra acidentes, mas também contra os riscos à saúde mental. Espaços que promovem o respeito, a escuta, o equilíbrio entre vida pessoal e profissional e o apoio aos colaboradores reduzem drasticamente o sofrimento emocional e funcionam como fator de proteção contra o suicídio. Falar de saúde mental não é apenas falar de doença, é falar de bem-estar, produtividade e de como pessoas saudáveis mentalmente produzem mais e melhor”, explica.

Segundo dados da Justiça do Trabalho, o número de ações por assédio moral cresceu 28% entre 2023 e 2024, passando de 91 mil para mais de 116 mil processos em todo o país. Já o Mapa do Assédio 2024, levantamento realizado pela consultoria KPMG, mostra que 3 em cada 10 profissionais afirmam ter sofrido algum tipo de assédio nos últimos 12 meses, com destaque para o assédio moral e psicológico.

A psicóloga Danielle Olivares explica como esse tipo de violência se manifesta. “O assédio moral no trabalho pode ser definido como qualquer comportamento abusivo, humilhante, constrangedor ou ameaçador, seja ele pontual ou repetitivo. Ele se expressa por meio de palavras, gestos ou ações que violam a dignidade do trabalhador e prejudicam sua saúde física e mental, além de reduzir sua capacidade laboral e comprometer o ambiente de trabalho como um todo. Pode ocorrer de forma interpessoal”, detalha.