Goianésia- O uso de cigarros eletrônicos, também conhecidos como vapes, tem crescido de forma preocupante em Goiás, especialmente entre os jovens. Em Goiânia, capital do estado, 7,1% dos homens adultos relatam já ter usado esses dispositivos, segundo dados recentes. A situação acende um alerta entre as autoridades de saúde, já que a comercialização de cigarros eletrônicos é proibida no Brasil desde 2009, conforme resolução da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
Apesar da proibição, a popularidade dos vapes aumentou significativamente nos últimos anos. A pneumologista Angelica Costa explica que o dispositivo surgiu em 2003, na China, e chegou ao Brasil por volta de 2010. “Na época, o consumo era pequeno. Porém, uma pesquisa recente mostrou que, em 2018, cerca de 500 mil pessoas no Brasil haviam experimentado o cigarro eletrônico no último mês. Em 2024, esse número saltou para 3 milhões”, destaca a médica.
A terceira edição do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III) aponta que 8,7% dos adolescentes de 14 a 17 anos usaram cigarro eletrônico no último ano, um índice superior ao registrado entre adultos, que é de aproximadamente 5,4%. O estudo também revela que muitos adolescentes que experimentam o dispositivo continuam utilizando-o com frequência, o que indica uma alta taxa de continuidade e risco de dependência.
Para o estudante João Pedro, apesar da preocupação com o vape, é necessário olhar com a mesma atenção para outras drogas lícitas. “A Anvisa investiga o vape, mas acaba ignorando outras substâncias legais, como o cigarro tradicional e o álcool. O cigarro pode causar câncer de pulmão, e a bebida alcoólica, cirrose hepática. São produtos que estão no mercado há décadas, e todo mundo sabe o mal que fazem. Basta ler os alertas na embalagem do cigarro”, comenta.
Além do fácil acesso, o uso de vapes é impulsionado por figuras públicas e influenciadores digitais, que frequentemente os exibem nas redes sociais, contribuindo para a normalização da prática. Especialistas alertam que, embora muitos acreditem que os cigarros eletrônicos sejam menos nocivos, eles contêm nicotina e outras substâncias químicas tóxicas, capazes de causar danos à saúde pulmonar e cardiovascular, além de favorecer a dependência desde cedo.




