Especialistas explicam como estresse e ansiedade podem causar distúrbios digestivos e até aumentar o risco de depressão

Goianésia - A relação entre o cérebro e o intestino vai muito além da digestão. Situações de estresse, ansiedade ou nervosismo intenso costumam provocar sintomas como prisão de ventre, diarreia, gases e dor abdominal. Isso acontece porque o intestino possui um sistema nervoso próprio, que se comunica diretamente com o cérebro, tornando-o extremamente sensível a alterações emocionais.

A nutricionista Alana Bezerra explica que emoções intensas podem desencadear uma série de reações no sistema digestivo. “As mudanças no comportamento e de humor podem modificar os gatilhos ambientais, como estilo de vida e hábitos alimentares, alterando a composição da microbiota intestinal. Em consequência, pode haver comprometimento da barreira intestinal, ativação de respostas imunológicas e produção de mediadores inflamatórios”, afirma.

A nutricionista detalha que esses mediadores podem afetar diretamente o cérebro. “Eles promovem alterações nas substâncias cerebrais, o que influencia o humor, a ansiedade e o comportamento, criando um ciclo vicioso em que o estresse afeta a microbiota e, por sua vez, a microbiota agrava os efeitos do estresse”.

Estudos recentes indicam que a inflamação intestinal, provocada por bactérias e agravada pelo estresse, pode aumentar o risco de depressão. Além disso, pacientes que fazem uso de antidepressivos podem sentir impactos no trato digestivo, já que esses medicamentos interferem na produção de serotonina o neurotransmissor associado ao bem-estar, e podem gerar efeitos colaterais no intestino.

Para minimizar esses impactos, a nutricionista recomenda mudanças no estilo de vida. “O uso potencial de probióticos pode ajudar no equilíbrio do eixo microbiota-intestino-cérebro, atuando diretamente sobre os efeitos do estresse. Mas, além disso, é fundamental manter uma alimentação rica em fibras, ingerir bastante água e praticar atividades físicas regularmente”, orienta.

Manter o equilíbrio emocional e adotar hábitos saudáveis são medidas essenciais para preservar tanto a saúde mental quanto o bom funcionamento intestinal. Ao notar sinais persistentes de desequilíbrio físico ou emocional, a recomendação é buscar orientação profissional.