A ação conta com um conjunto de equipe, que permitem cirurgias gratuitas pelo SUS

 

Goianésia - Como parte da programação do Outubro Rosa, o Hospital do Câncer Araújo Jorge, em Goiânia, realiza o “Mutirão de Reconstrução Mamária”, uma ação voltada para mulheres que enfrentaram o câncer de mama. Organizado por um grupo de médicos especialistas em cirurgia plástica, o mutirão visa mais do que restaurar a simetria corporal; ele busca devolver a autoconfiança e melhorar a qualidade de vida das pacientes. Entre os especialistas envolvidos está o médico especialista em cirurgia plástica Pablo Rassi, que conversou com a RVC FM sobre a importância desse projeto.

Desde 2016, o mutirão já beneficiou mais de 120 mulheres, tornando-se um projeto essencial para a reintegração dessas pacientes na sociedade, após enfrentarem a batalha contra o câncer de mama. O evento, realizado anualmente, é uma oportunidade para que as mulheres recuperem não apenas a saúde física, mas também sua autoestima, um aspecto fundamental para a reconstrução emocional.

Em entrevista à RVC FM, Dr. Pablo Rassi detalhou a proposta do mutirão: "A ideia surgiu para atender mais mulheres de forma rápida e ao mesmo tempo conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico precoce, do tratamento e da reconstrução mamária. Esse processo afeta muito a vida das mulheres, que muitas vezes perdem a autoestima devido ao impacto físico do tratamento. O mutirão começou com o Dr. Bruno Carvalho, e hoje é realizado por uma equipe maior de cirurgiões plásticos que fazem parte dessa ação. O importante é que as cirurgias são gratuitas e realizadas pelo SUS, atendendo pacientes já cadastradas no Hospital Araújo Jorge", explicou.

A reconstrução mamária, segundo o médico, é uma decisão pessoal. "Existem mulheres com mamas maiores que preferem cirurgias mais conservadoras e não sentem a necessidade de reconstruir. Mas para aquelas que se sentem incomodadas com a aparência, o mutirão oferece a oportunidade de melhorar sua condição. Estamos aqui para cuidar", afirmou Dr. Rassi.

O tratamento do câncer de mama, conforme o cirurgião, envolve etapas complexas e prolongadas. "Muitas pacientes fazem uso de hormônios durante o tratamento, o que pode afetar ainda mais a autoestima. A reconstrução é fundamental para remover o estigma do câncer e permitir que a mulher se reintegre à sociedade de forma mais confiante. A reconstrução imediata é a opção preferida, mas depende de critérios médicos. Quando não é possível, o foco inicial é tratar o câncer, e a reconstrução pode ser feita posteriormente, utilizando tecidos do próprio corpo ou retalhos à distância", explicou.

A decisão sobre a reconstrução mamária, segundo Dr. Rassi, também depende do estágio da doença. "Em casos de tumores maiores ou mais avançados, a retirada total da glândula mamária é necessária. No entanto, quando o câncer está em estágios iniciais, é possível realizar tratamentos e cirurgias mais conservadores. A reconstrução, em qualquer um desses casos, é uma escolha da paciente, que pode ser realizada em um momento mais apropriado", concluiu.