A participação das famílias é essencial na identificação precoce de sinais de sofrimento emocional

Goianésia-O suicídio é a quarta principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no Brasil, um dado alarmante que coloca em evidência a crescente preocupação com a saúde mental da juventude brasileira. Em setembro, mês dedicado à conscientização sobre o tema, a campanha Setembro Amarelo reforça a importância de prevenir essa tragédia e oferecer suporte emocional adequado.

De acordo com a psicóloga clínica Daniele Rodrigues, os sinais de sofrimento emocional são frequentes, mas frequentemente passam despercebidos. “O aumento do número de suicídios entre adolescentes é preocupante, especialmente entre os meninos. Vivemos uma cultura em transformação, mas ainda há uma grande barreira para que eles possam expressar suas emoções, tanto no ambiente familiar quanto social. Eles são pressionados a serem fortes, a não demonstrar vulnerabilidade, o que pode resultar em sérios danos à sua saúde mental", explica.

Estudos apontam que, entre 2016 e 2021, o número de suicídios entre adolescentes no Brasil aumentou significativamente. O crescimento foi de 50% entre jovens de 15 a 19 anos e de 45% entre crianças e pré-adolescentes de 10 a 14 anos.

Rodrigues ressalta que a escuta ativa dentro de casa pode ser um fator determinante para a prevenção. “A família precisa ser uma presença constante e empática, não apenas um agente de cobrança. A alta incidência de suicídios, especialmente entre meninos, está relacionada a expectativas sociais que exigem que eles se comportem de forma precoce e sem demonstrar emoções. Além disso, muitos adolescentes estão expostos a desafios perigosos nas redes sociais e jogos online, onde entram em contato com desconhecidos que os induzem a comportamentos arriscados, colocando suas vidas em risco", alerta a psicóloga.