Rotulagem clara e restrição à publicidade infantil são medidas defendidas por profissionais de saúde

Goianésia- O consumo de alimentos ultraprocessados, como biscoitos recheados, refrigerantes, salgadinhos e outros produtos com alto grau de industrialização, tem aumentado de forma preocupante no Brasil. Atualmente, esses itens representam cerca de 20,2% da ingestão calórica diária da população, com variações entre 13% e 21%, dependendo da faixa etária e do sexo dos consumidores.

A nutricionista Eliana Carla explica como esses produtos são formulados industrialmente. “São alimentos que possuem formulações industriais. Por exemplo, eu extraio o açúcar da cana, o amido da mandioca, a proteína da soja ou de fontes animais, e uso esses ingredientes isolados para desenvolver um novo alimento”, detalha.

Na última década, o consumo de ultraprocessados no país cresceu 5,5%, segundo dados de estudos recentes. Esse aumento tem impacto direto na saúde pública: estimativas apontam que, em 2019, cerca de 57 mil mortes prematuras foram associadas ao consumo excessivo desses alimentos. Isso representa 10,5% de todos os óbitos precoces no país , ou 21,8% das mortes por doenças não transmissíveis, como diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares.

Durante o processo de industrialização, o alimento originalmente natural perde boa parte de seus nutrientes, o que compromete seu valor nutricional. “Para essa construção, eu acabo tendo que adicionar várias substâncias, algumas naturais e outras químicas. E aí é onde entra o grande problema: a inserção de aditivos químicos, que em alguns casos podem ser nocivos à saúde”, alerta Eliana.

Especialistas e entidades de saúde têm reforçado a necessidade de políticas públicas mais rigorosas para conter o avanço do consumo de ultraprocessados. Entre as principais recomendações estão a rotulagem nutricional frontal clara, a restrição à publicidade direcionada ao público infantil e o estímulo à oferta e ao consumo de alimentos in natura e minimamente processados.