Dados alarmantes revelam o avanço da doença entre goianos e as dificuldades para combatê-la

Goianésia- A obesidade tem mostrado um crescimento preocupante entre os goianos, atingindo todas as faixas etárias, desde crianças e adolescentes até adultos e idosos. Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) indicam que a situação se agrava a cada ano. A exceção é o grupo de crianças menores de cinco anos, que manteve índices estáveis ao longo dos últimos dez anos. Esses dados integram o Atlas da Obesidade no Estado de Goiás, elaborado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde.

O cenário é alarmante no que diz respeito à obesidade infantil e juvenil. Em 2022, aproximadamente 10,21% das crianças goianas estavam obesas, o que equivale a cerca de 34.167 crianças no estado. No grupo de adolescentes de 10 a 19 anos, o excesso de peso afeta quase 39 mil jovens, com 12,6 mil apresentando obesidade e 3,5 mil em estado grave, sendo este o maior índice da região Centro-Oeste.

O médico Flávio Carmo explica que a obesidade não é uma questão simples de escolha pessoal, mas sim uma condição complexa. "A obesidade não é uma escolha racional. Ela envolve questões químicas e comportamentais. O tratamento também é desafiador, pois a obesidade é um problema difícil de ser superado", afirma.

A publicitária Estefane Liberal compartilha sua experiência pessoal ao recorrer à cirurgia bariátrica para tratar a obesidade. Ela destaca que muitos desconhecem a complexidade da condição e do tratamento. "Há uma ideia errada de que a obesidade se resume apenas ao consumo excessivo de alimentos. Pode ser uma doença, algo que não é fácil de lidar. E a cirurgia bariátrica, por mais que algumas pessoas a vejam como uma solução simples, é também muito difícil", explica Estefane.

Especialistas apontam que o sedentarismo, a alta ingestão de dietas ultraprocessadas e a falta de campanhas preventivas eficazes são os principais fatores que contribuem para o aumento da obesidade em Goiás. A situação exige uma resposta coordenada das autoridades de saúde, que deve incluir educação nutricional, incentivo à prática de atividades físicas e um monitoramento mais constante da população.