Alta de acidentes revela cenário preocupante e pressiona sistema de saúde e segurança viária

 

Goianésia - A imprudência, a pressa e as más condições das vias continuam a transformar o trânsito goiano em um ambiente hostil para motociclistas. Em 2025, Goiás já registrou 84 mortes de condutores de motocicleta, número que preocupa autoridades e especialistas da área. A comparação com os dados de 2024, quando foram contabilizadas 90 mortes durante todo o ano, torna o cenário ainda mais alarmante.

Segundo a presidente da Comissão de Direito no Trânsito da OAB-GO, Eliene Nogueira, o risco vai muito além da conduta dos motociclistas. “Com toda certeza, a pressa, o excesso de confiança e as más condições das vias aumentam muito o risco para quem está sob duas rodas. Mas a responsabilidade não é só do motociclista. Os motoristas também têm deveres, como respeitar os espaços das motos, sinalizar as manobras e dirigir com atenção redobrada”, pontua.

Além das mortes, os números de feridos são expressivos. A Secretaria Estadual de Saúde informa que mais de 10 mil atendimentos foram realizados neste ano a vítimas de acidentes com motocicletas. O entregador Claudeone Silva, morador de Goianésia, relata sua experiência após ser atingido por outro veículo. “Em questão de segundos, o acidente quase causou uma tragédia em minha família. Quebrei a perna em dois lugares e precisei passar por cirurgia. Foi muito grave”.

O aumento da frota de motocicletas também é parte do problema. Em uma década, Goiás ultrapassou a marca de 1,5 milhão de motos em circulação, muitas delas conduzidas por trabalhadores de entrega, que vivem sob forte pressão por agilidade.

Dra. Rosa Stekelberg, do Conselho Municipal de Saúde de Goianésia, afirma que os impactos vão além das vítimas. “Fizemos uma análise com base no DataSus e vimos que, em Goianésia, 36,7% das internações por acidentes de trânsito envolvem motociclistas. No Estado, essa taxa é de 25%. Os custos ao sistema de saúde são altos, mas o prejuízo maior é humano. É urgente repensar políticas públicas que envolvam saúde, mobilidade urbana e segurança viária”.