Doença transmitida pelo mosquito-palha pode ser fatal em até 90% dos casos se não tratada

 

 

Goianésia - O mês de agosto marca a campanha Agosto Verde, voltada à conscientização sobre a leishmaniose, uma doença grave que atinge tanto animais quanto seres humanos. Também conhecida como calazar, a leishmaniose é uma zoonose transmitida pela picada do mosquito-palha, comum em regiões quentes e úmidas. Se não for tratada, a forma visceral da doença pode levar à morte em até 90% dos casos.

Segundo a médica veterinária Sabrina Arruda, especialista em vigilância da leishmaniose, a enfermidade não é contagiosa diretamente, mas precisa da intermediação de um vetor. "Temos a forma tegumentar, que afeta a pele e mucosas, e a visceral, mais grave, que atinge órgãos como fígado e baço. Cães são os principais reservatórios urbanos da forma visceral", explica.

A campanha chama atenção para o fato de que a doença muitas vezes é silenciosa nos cães, sem sintomas visíveis. Quando presentes, os sinais incluem feridas com bordas elevadas, febre persistente, anemia, fraqueza, apatia e aumento do volume abdominal. Em humanos, os sintomas são semelhantes e podem ser confundidos com outras infecções.

O diagnóstico é desafiador e deve ser feito com exames específicos. A sorologia é o principal método, mas também existem alternativas como o PCR e exames parasitológicos. Para seres humanos, o tratamento é oferecido gratuitamente pelo SUS. Já nos animais, o tratamento à base de miltefosina é feito apenas por clínicas particulares, sob orientação veterinária.

A prevenção é essencial e envolve o controle do mosquito transmissor, com uso de repelentes nos cães, limpeza frequente dos ambientes e vacinação. A vacina canina é aplicada em três doses, com reforço anual, e deve ser administrada apenas após exames que confirmem que o animal não está infectado.

O Brasil ainda figura entre os seis países com maior incidência de leishmaniose visceral. Cerca de 90% dos casos da forma canina registrados na América Latina ocorrem no território brasileiro, o que reforça a urgência da conscientização e do combate ao vetor da doença.