Ação permite que familiares forneçam DNA para cruzamento com bancos nacionais e internacionais

 

Goianésia - A Polícia Civil e a Superintendência de Polícia Técnico-Científica de Goiás lançaram a segunda edição da Campanha Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas. A iniciativa ocorre simultaneamente em todos os estados e no Distrito Federal, como parte da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, instituída pela Lei nº 13.812/2019.

Durante a campanha, familiares de pessoas desaparecidas podem doar material genético para inclusão no banco nacional de perfis. O cruzamento dessas informações permite a identificação de pessoas encontradas vivas sem documentos ou de restos mortais ainda não identificados. Em Goiás, já foram cadastrados mais de 900 cadáveres sem identificação.

Goianésia está entre as cidades do estado com unidades aptas a receber o material genético, ao lado de Goiânia, Ceres, Uruaçu, Porangatu e outras, totalizando 23 locais de coleta espalhados por todas as regiões de Goiás.

Segundo o superintendente de Identificação Humana da Polícia Civil, delegado Webert Leonardo Lopes, a campanha busca oferecer respostas concretas às famílias. Ele reforça que não há necessidade de esperar 24 horas para registrar o desaparecimento de alguém:
“Esse mito precisa ser desfeito. A família pode procurar a delegacia imediatamente, a qualquer momento, e quanto mais rápido for o registro, maiores as chances de localização. As primeiras horas são fundamentais para as investigações.”

A coleta do material é simples, voluntária e realizada pela Polícia Científica. De acordo com Laryssa Silva de Andrade Bezerra, coordenadora do Laboratório de Biologia e DNA Forense, o processo visa traçar um perfil genético que será arquivado para buscas:
“Nós armazenamos o material genético dos familiares, dos cadáveres não identificados e também de pessoas vivas não identificadas. Esse banco é utilizado para cruzamentos em todo o território nacional e também internacional, ampliando as chances de localização.”

De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 81.873 desaparecimentos foram registrados no Brasil em 2024, um aumento de 4,9% em relação a 2023. Só na região Centro-Oeste, foram 8.567 casos.

A campanha segue ao longo do mês de agosto e tem como objetivo principal ampliar as chances de reencontros e encerramento de casos de desaparecimento. Para participar, os familiares interessados devem procurar a Superintendência de Identificação Humana da Polícia Civil ou uma das unidades de coleta.