Perspectiva para 2025 é de alta nas solicitações, impulsionadas pela queda nas commodities agrícolas e restrição de crédito

Goianésia - O agronegócio brasileiro está enfrentando um aumento significativo nos pedidos de recuperação judicial. Em 2024, 295 empresas do setor recorreram a esse instrumento jurídico, marcando um crescimento de 39% em comparação ao ano anterior. A expectativa é de que esse número continue crescendo em 2025, devido à queda nos preços das commodities agrícolas, que afetaram diretamente a receita de muitos produtores, e à restrição de crédito no setor.

Dentre os fatores que têm levado as empresas do agronegócio a buscar recuperação judicial está a instabilidade nos preços das commodities. Nos últimos anos, o setor se beneficiou de um cenário de alta nos preços, especialmente após a pandemia. No entanto, com a queda nos valores das commodities no ano passado, muitos produtores que haviam contraído dívidas se viram em dificuldades para honrar seus compromissos. A diminuição das receitas, somada ao alto custo de insumos e à escassez de crédito, tem sido um grande obstáculo para a recuperação financeira de diversas empresas.

O advogado tributarista Dênerson Rosa explica que, em cenários como o atual, a situação se complica especialmente para os pequenos produtores. "O pequeno produtor, para acessar a recuperação judicial, precisa ter a contabilidade em ordem, e muitos não têm isso. Além disso, com os bancos mais restritivos, a falta de crédito agrava a crise no setor", alerta. Ele também ressalta a importância do apoio governamental. "O governo precisa agir para ajudar o setor a atravessar esse momento difícil. O agronegócio é fundamental para a economia do Brasil, e sem políticas públicas eficazes, o setor pode enfrentar uma crise ainda maior", afirma.

Especialistas apontam que a resposta do governo é essencial para garantir que o setor consiga se reestruturar. Políticas de incentivo ao crédito, alinhadas com maior suporte técnico, podem ajudar a mitigar os impactos dessa crise no agronegócio. Mesmo diante das dificuldades, o setor continua sendo um dos pilares da economia brasileira.