Goianésia - O Hospital de Câncer Araújo Jorge, em Goiânia, corre o risco de reduzir o atendimento de radioterapia devido a uma crise financeira que afeta a manutenção e renovação de equipamentos. A instituição, que atende 320 pacientes por dia, sendo 98% deles pelo SUS, é a única no estado a oferecer esse tratamento essencial. No entanto, um dos três aparelhos de radioterapia, com 26 anos de uso, está deteriorado e precisa de reparos constantes, podendo ser desativado em breve.
Paulo Moacir de Oliveira Campoli, vice-presidente da Associação de Combate ao Câncer em Goiás (ACCG), alertou sobre as graves consequências de uma interrupção no tratamento. "Se os tratamentos forem interrompidos, os pacientes ficarão sem atendimento e terão suas vidas consumidas pela doença", destacou. Ele também enfatizou a dificuldade de substituir os equipamentos, que custam em média R$13 milhões cada. "O hospital não tem como arcar com esse custo, especialmente diante dos repasses atrasados."
A instituição enfrenta uma dívida de R$46,7 milhões devido aos atrasos no repasse do Fundo Municipal de Saúde, além de R$16 milhões a receber pelos serviços prestados. Campoli alertou que, caso a situação não seja resolvida, será necessário reduzir ainda mais o número de atendimentos. "Não será uma restrição de 15 dias como no final do ano passado. Será algo mais grave e duradouro", afirmou.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia informou que repassou R$9,2 milhões à ACCG em janeiro e está trabalhando para regularizar os pagamentos e renegociar as dívidas acumuladas. No entanto, a ACCG reforçou que, sem uma solução financeira urgente, a redução no número de atendimentos será inevitável, colocando em risco a saúde de centenas de pacientes que dependem exclusivamente do SUS para o tratamento do câncer.




