Estima-se que os pagamentos indevidos tenham causado um prejuízo de R$ 10,4 milhões aos cofres públicos.

Goianésia - O ex-presidente da Goinfra, Lucas Vissotto, foi preso nesta terça-feira (28) durante a operação Obra Simulada, conduzida pela Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (Deccor). A investigação apura suspeitas de fraudes em contratos firmados entre a agência e uma empresa privada.

Vissotto, que esteve à frente da Goinfra, foi exonerado em abril de 2024 por decreto do governador Ronaldo Caiado. Sua saída, registrada como "a pedido", ocorreu após o cancelamento de licitações e contratos sob suspeita de irregularidades e sobrepreço.

No mesmo período, outros seis servidores — incluindo diretores e gerentes — também foram exonerados devido a suspeitas em um contrato de manutenção predial firmado com a Prime Construções, de Brasília. O contrato, inicialmente avaliado em R$ 28 milhões, foi rescindido, e a Goinfra abriu processos administrativos contra a empresa e os servidores envolvidos. A Controladoria-Geral do Estado (CGE) e a Polícia Civil investigam o caso.

Segundo o delegado Danilo Victor Nunes, coordenador da operação, Vissotto tinha "pleno conhecimento do que estava acontecendo". Durante as apurações, os investigadores identificaram um padrão de comportamento suspeito dentro da diretoria responsável pelos contratos.

Até o momento, oito pessoas foram presas, sendo seis ex-servidores do governo estadual. A operação cumpre um total de 114 mandados judiciais, incluindo:

32 quebras de sigilo bancário, fiscal, telefônico e telemático;

26 bloqueios de bens e valores;

10 proibições de empresas envolvidas de contratar com o poder público;

24 mandados de busca e apreensão;

15 mandados de prisão temporária.

As ações ocorrem em Goiânia, Anápolis e no Distrito Federal.

Fraudes e prejuízos ao erário

De acordo com a Polícia Civil, o contrato investigado foi assinado entre 2023 e 2024 para a reforma e manutenção de 26 prédios públicos em Goiás. As obras incluíam 14 postos da Polícia Rodoviária Militar, nove aeródromos, instalações do Palácio Pedro Ludovico Teixeira e a sede da própria Goinfra.

Relatórios técnicos e inspeções realizadas pela Secretaria Estadual de Infraestrutura (Seinfra), CGE e Polícia Civil apontaram diversas irregularidades. Entre elas, pagamentos antecipados sem a realização das obras e indícios de superfaturamento em medições e notas fiscais. Além disso, a empresa contratada teria demolido prédios públicos para justificar os repasses adiantados, sem reerguê-los.

O prejuízo inicial estimado aos cofres públicos ultrapassa R$ 10 milhões, sem contar os custos adicionais para reconstrução das estruturas. A empresa investigada já era alvo de processos semelhantes no Tocantins.

Os suspeitos podem responder por crimes como corrupção passiva e ativa, associação criminosa, lavagem de dinheiro e peculato.