Goianésia-O calendário eleitoral de 2026 entrou em uma nova fase com o início do período de convenções partidárias, etapa em que partidos oficializam candidaturas para presidente da República, governador, senador, deputados federais e estaduais. Em Goiás, além das articulações para a disputa estadual, o cenário nacional também começa a ganhar forma com pesquisas de intenção de voto e movimentações de lideranças que buscam consolidar alianças antes do início oficial da campanha.
No quadro “Falando Sério” desta semana, o ex-deputado federal Vilmar Rocha, explicou que o calendário das convenções já está em andamento e que diversos partidos iniciaram a oficialização de seus candidatos.
"O prazo vai de 20 de julho até o dia 5 de agosto. Vários partidos já fizeram as suas convenções. Eu estava vendo, por exemplo, a convenção do PSD no Rio de Janeiro para oficialização da candidatura do Eduardo Paes. O partido Missão também realizou sua convenção. No dia 26 será a convenção nacional do PSD para oficializar a chapa do Caiado com o Kassab. Eu, inclusive, vou participar porque sou membro da Executiva Nacional do partido", afirmou.
Segundo ele, em Goiás a convenção estadual da legenda está convocada para o dia 5 de agosto, reunindo lideranças do estado para definir oficialmente as candidaturas.
Durante a entrevista, Vilmar Rocha comentou as articulações envolvendo o governador Ronaldo Caiado e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Para ele, existe proximidade política entre os dois grupos, embora o apoio formal de Tarcísio permaneça voltado à candidatura de Flávio Bolsonaro.
"Pelo que fui informado, o Tarcísio de Freitas vai participar da nossa convenção. Oficialmente ele apoia o Flávio Bolsonaro, já declarou isso. Mas, se não for o Flávio, ele apoia o Caiado. O PSD de São Paulo apoia o Tarcísio e o PSD paulista também apoia o Caiado. Existe uma situação de muita proximidade entre eles", disse.
O ex-deputado federal também analisou levantamentos divulgados nesta semana que simulam cenários de segundo turno para a Presidência da República.
"O jornal O Estado de S. Paulo publicou um editorial defendendo uma tese semelhante à nossa. Se a disputa for entre Lula e Flávio Bolsonaro, o Lula vence no segundo turno. Se for entre Lula e Caiado, o Caiado tem possibilidade de ganhar. A sociedade brasileira vê nele um nome completamente limpo, sem nenhuma questão contra ele, além de considerá-lo mais experiente e preparado para exercer a Presidência da República", declarou.
Estratégia eleitoral
Na avaliação de Vilmar Rocha, a estratégia do PSD será ampliar a presença de Ronaldo Caiado ao longo da campanha para consolidá-lo como alternativa na disputa presidencial.
"Eu acredito que, até o primeiro turno, ele vai crescer. Pode surgir uma corrente de entendimento de que o Flávio Bolsonaro não vence o Lula no segundo turno, enquanto o Ronaldo Caiado teria essa possibilidade. Nós vamos insistir nessa tese. Existe um movimento nacional contrário ao PT, mas há muita desconfiança em relação à candidatura do Flávio. Essa desconfiança não existe com relação ao Caiado", afirmou.
Ao comentar uma declaração feita recentemente por Ronaldo Caiado sobre a postura do PT em relação à candidatura de Flávio Bolsonaro, Vilmar explicou a interpretação dada pelo governador. "Quando ele disse que o PT está cuidando do Flávio Bolsonaro como se cuida de um peru, quis dizer que o peru não se mata na véspera. Mata-se na hora certa. Ou seja, eles entendem que seria mais fácil enfrentar o Flávio em um eventual segundo turno", comentou.
Goiás supera 5 milhões de eleitores
Outro assunto abordado na entrevista foi a atualização do eleitorado goiano divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O estado ultrapassou a marca de cinco milhões de eleitores aptos a votar, crescimento superior à média nacional.
Para Vilmar Rocha, o avanço está relacionado tanto ao crescimento populacional quanto à regularização cadastral promovida pela biometria.
"Como Goiás é um estado próspero, organizado e que continua crescendo, houve aumento da população, inclusive com a chegada de pessoas de outros estados. Hoje Goiás tem mais de sete milhões de habitantes e mais de cinco milhões de eleitores. O crescimento do eleitorado foi de quase 5%, enquanto a média nacional ficou em torno de 2%", explicou.
Ele acrescentou que a ampliação do cadastro biométrico também contribuiu para esse resultado.
"Uma das coisas que ajudou foi a biometria. Aumentou muito o número de eleitores cadastrados biometricamente e diminuiu o número de pessoas que ainda não tinham esse cadastro. Isso também contribuiu para elevar o eleitorado goiano", afirmou.
Peso político
Na análise de Vilmar Rocha, o novo tamanho do eleitorado amplia a relevância de Goiás nas disputas nacionais, especialmente quando comparado a estados de porte semelhante.
"Hoje, Goiás é o estado com o maior número de eleitores da região Centro-Oeste e está entre os dez maiores colégios eleitorais do país. Não se compara a estados como São Paulo, Minas Gerais ou Rio de Janeiro, mas também está muito acima de diversos estados brasileiros. Isso dá a Goiás um significado eleitoral importante nas eleições nacionais", concluiu.




