Setor agropecuário enfrenta desafios relacionados ao crédito

Goianésia-A renegociação das dívidas de produtores rurais e a necessidade de investimentos em infraestrutura para escoamento da produção voltaram ao centro das discussões em Goiás. Em meio às dificuldades enfrentadas pelo setor agropecuário em razão das oscilações climáticas e da queda nos preços de diversas commodities, produtores aguardam a implementação das novas condições de financiamento previstas pelo governo federal.

Em entrevista exclusiva à RVC FM, o senador licenciado Vanderlan Cardoso explicou que a proposta de renegociação não é de sua autoria, mas passou por alterações durante a tramitação no Senado, incluindo emendas apresentadas por ele.

"Esse foi um projeto apresentado, aprovado na Câmara e que veio para o Senado. Nós fizemos algumas modificações, inclusive com emenda minha, e elevamos esses valores para cerca de R$ 150 bilhões a R$ 170 bilhões. O governo achou por bem editar uma medida provisória no valor de R$ 100 bilhões. Houve um acordo tanto na Câmara quanto no Senado para que essa MP fosse aprovada. Eu participei desse acordo, juntamente com a senadora Tereza Cristina e outros senadores e deputados", afirmou.

Apesar da aprovação da medida provisória, o senador licenciado considera que o montante disponibilizado ainda está distante da necessidade do setor.

"Na verdade, eu acho esse valor muito aquém do que necessita. O agro, pelas dificuldades que está passando, seja por questões climáticas ou pela redução dos valores da soja, do milho e de tantos outros produtos, deveria ter um olhar especial. Pelas contas que fizemos, seriam necessários entre R$ 300 bilhões e R$ 400 bilhões para dar uma aliviada. Esses R$ 100 bilhões já representam um pequeno alívio, mas ainda são insuficientes", disse.

Senador defende uso de reservas para apoiar produtores

Ao analisar o cenário enfrentado pelo agronegócio, Vanderlan argumentou que o governo federal possui instrumentos para ampliar o apoio financeiro ao setor.

"Sou favorável que se use parte das reservas que nós temos para ajudar os nossos produtores neste momento difícil. Nós temos quase US$ 400 bilhões em reservas, e a maior parte delas é oriunda das exportações do agro", declarou.

Segundo ele, o setor agropecuário continua sendo um dos principais responsáveis pelo desempenho da economia brasileira, o que justificaria medidas extraordinárias para enfrentar períodos de crise.

Questionado sobre quem poderá acessar as novas condições de renegociação, o senador informou que a medida alcança produtores rurais de diferentes perfis. "Todos os produtores estão inseridos nessa condição de renegociação. Vai de acordo com o tamanho da dívida, e os juros variam de 3,5% ao ano até 12% ao ano, no caso dos maiores financiamentos. Já está valendo. Foi passada determinação ao Banco do Brasil e ao BNDES para que façam essas negociações o mais rápido possível", explicou.

As condições variam conforme o volume da dívida contratada, permitindo que pequenos, médios e grandes produtores tenham acesso ao programa.

Financiamento é parte da atividade agrícola

Durante a conversa, Vanderlan observou que recorrer ao crédito rural faz parte da realidade da maioria das propriedades agrícolas, sobretudo diante do alto custo de produção.

"É muito difícil encontrar um produtor que não tenha dívida. Não é barato manter uma lavoura até o momento da colheita e da comercialização. Parte da produção precisa ser financiada, e eu defendo, como a maioria no Senado, que esse financiamento tenha juros subsidiados", afirmou.

Na avaliação do senador licenciado, o apoio público se justifica pela participação expressiva do agronegócio na economia nacional.

"O agro participa com quase 30% do PIB do país. Nesse momento de dificuldade, ninguém está pedindo nada de graça. Só o governo federal tem condições de buscar recursos para investir agora e ajudar o agro brasileiro", acrescentou.

Anel viário de Goiânia avançou após articulação política

Além do tema relacionado ao agronegócio, Vanderlan comentou o andamento do novo anel viário da capital goiana. Segundo ele, o projeto voltou a avançar após articulação conjunta entre parlamentares e a Prefeitura de Goiânia.

"Desde que cheguei ao Senado, trabalhamos para que esse anel viário saísse do papel. Por questões políticas, isso não foi para frente durante muito tempo. Com a entrada do prefeito Sandro Mabel, houve união entre a bancada, e conseguimos inserir novamente o projeto no PAC. A licitação será refeita e a obra poderá avançar de forma mais rápida", afirmou.

O senador licenciado também avaliou que disputas políticas acabaram retardando empreendimentos considerados estratégicos. "Quando existe ciumeira política, isso atrapalha demais. Obras importantes acabam ficando paradas. Quando todos falam a mesma língua, as coisas acontecem", declarou.

Parlamentar diz que atuará para destravar projeto em Goianésia

Questionado sobre a implantação da nova Avenida Perimetral, projetada para funcionar como um novo anel viário em Goianésia, Vanderlan afirmou que pretende colaborar com as articulações em Brasília para viabilizar a obra. "Nós estamos aqui para ajudar, fazer as reuniões, destravar o projeto e buscar recursos. Tenho certeza de que a bancada federal não vai colocar nenhum obstáculo para a construção do anel viário de Goianésia", afirmou.

O senador licenciado destacou que conhece a realidade do município e considera a obra necessária diante do crescimento urbano e do intenso fluxo de veículos pesados. " O movimento de carretas é grande, e obras desse tipo retiram o trânsito pesado do perímetro urbano, melhorando a mobilidade e a qualidade de vida dos moradores", disse.

União política pode acelerar investimentos

Ao encerrar a entrevista, Vanderlan defendeu que lideranças locais e representantes políticos atuem de forma conjunta para garantir a execução do projeto.

"Goianésia tem grandes líderes políticos. Passado o período eleitoral, precisamos dar as mãos. Conhecemos o caminho em Brasília e podemos ajudar a destravar esse projeto, assim como fizemos com o anel viário de Goiânia. O importante é unir esforços para que essa obra saia do papel", concluiu.