Goianésia-A oficialização do nome de Luís Cesar Bueno como pré-candidato do PT ao Governo de Goiás acrescenta mais um elemento às articulações para as eleições de 2026. A movimentação ocorre em um momento em que os partidos começam a definir estratégias, consolidar alianças e estruturar seus projetos para a disputa estadual e nacional.
Em entrevista exclusiva à RVC FM, o advogado e ex-deputado federal Vilmar Rocha afirmou que a decisão petista não deve provocar mudanças significativas na corrida pelo Palácio das Esmeraldas.
"Na minha avaliação, não muda nada no quadro. O PT não tem a menor chance de eleger um governador do Estado. Nunca teve essa chance e, agora, claramente, também não tem, pela lógica da análise política. Então, não vai alterar nada", declarou.
Durante a entrevista, Vilmar Rocha avaliou que a escolha feita pelo partido está relacionada à composição da chapa proporcional para a Câmara dos Deputados. Segundo ele, a decisão de não lançar a deputada federal Adriana Accorsi ao governo busca preservar o potencial eleitoral da legenda na disputa por vagas no Congresso Nacional.
"Foi por isso que eles não lançaram a Adriana. A Adriana é a candidata mais forte que eles teriam para lançar agora. Só que, se lançarem a candidata a governadora, eles perdem uma vaga de deputado federal", afirmou.
Na análise do ex-deputado federal, o partido trabalha com a possibilidade de ampliar sua representação na bancada goiana da Câmara.
"O PT tem a perspectiva e a possibilidade de eleger de dois a três deputados federais. Eu acho que vai eleger dois ou três. Se a Adriana sair, eles elegem de um a dois."
Ao comentar a parlamentar, Vilmar fez elogios à trajetória política e acadêmica da deputada.
"A Adriana Accorsi é um bom quadro da política goiana. Ela é uma mulher bem formada. Foi minha aluna, em 1992, no curso de Direito Constitucional da Universidade Federal. É uma política séria, preparada e tem uma boa formação", disse.
Palanque para a disputa presidencial
Outro ponto abordado durante a conversa foi o papel das candidaturas estaduais na estratégia nacional do PT. Questionado sobre a necessidade de manter uma candidatura própria em Goiás, mesmo diante das dificuldades eleitorais, Vilmar Rocha concordou que o objetivo principal está ligado à campanha presidencial.
"Eu concordo plenamente com a sua análise. O objetivo deles ao lançar candidato a governador é ter um palanque para o Lula em Goiás. Inclusive, dar tempo de televisão e palanque. O único objetivo é esse", afirmou.
Segundo ele, essa é uma prática adotada historicamente pelo partido em Goiás.
"Sempre o PT teve candidato a governador, sabendo que não tinha chance de vitória, mas era para dar palanque para o Lula e, depois, para a Dilma."
PSD aposta em candidatura própria ao Planalto
Ao defender a presença de candidaturas próprias nas disputas majoritárias, Vilmar Rocha citou o movimento realizado pelo PSD em nível nacional. O dirigente lembrou que o partido terá, pela primeira vez, um candidato próprio à Presidência da República.
"Eu sempre manifestei a minha opinião de que o PSD devia ter candidato próprio a presidente da República. E, pela primeira vez, o PSD tem candidato próprio à Presidência da República, que, ainda bem, é um goiano: Ronaldo Caiado", declarou.
Na avaliação dele, a presença de um nome goiano na disputa presidencial amplia a visibilidade do estado no cenário nacional.
"É bom para Goiás ter um candidato a presidente, porque divulga o estado e qualifica a política do estado", afirmou.
Corrupção pode influenciar debate eleitoral
Durante a entrevista, Vilmar Rocha também comentou os possíveis impactos de temas nacionais no processo eleitoral de 2026. Entre eles, destacou o debate em torno de denúncias de corrupção e os desdobramentos de investigações em andamento.
"O Kassab disse que acha que o principal tema desta eleição será a questão da corrupção. Ele entende que esse assunto está chegando também à população mais simples e pode influenciar a escolha dos candidatos", relatou.
Para Vilmar, a repercussão de determinados casos dependerá dos fatos que ainda possam surgir ao longo das investigações.
"Vai depender muito dos próximos desdobramentos para saber qual será o impacto político desses episódios", concluiu.




