Goianésia - A RVC FM recebeu, na sexta-feira (28), o quinto episódio da série 2026 à Vista, reunindo quatro ex-prefeitos que contribuíram diretamente para a formação, expansão e consolidação de Goianésia: Leonardo Menezes, José Salvino de Menezes, Jalles Fontoura e Helio de Sousa. O ex-prefeito Gilberto Naves também foi convidado, mas por conta de um compromisso em Goiânia, lamentou que não poderia participar.
O encontro teve como objetivo revisitar a trajetória administrativa do município, avaliar o momento atual e projetar desafios estruturais decisivos para o futuro do município. Ao longo da conversa, os ex-gestores destacaram pontos cruciais como saúde pública, infraestrutura urbana, ensino superior, expansão industrial e a necessidade de grandes obras que acompanhem o crescimento populacional.
Gestão municipal como base do desenvolvimento
Jalles Fontoura destacou que a estrutura de Goianésia foi construída principalmente pela força da gestão municipal. Em suas palavras, “a infraestrutura que temos hoje é consequência da liderança dos prefeitos, das câmaras, dos empresários e produtores. As rodovias, o saneamento, a energia, as escolas e a própria evolução urbana nasceram da decisão local”.
Ele reforçou que o cenário atual envolve outros vetores de crescimento, como o ensino superior. “Goianésia é uma antes e outra depois do polo universitário, sendo a Faculdade de Medicina a peça-chave dessa transformação. Hoje o jovem não precisa mais sair para cursar uma graduação, e isso mudou a dinâmica da cidade”, disse.
Saúde pública: o novo hospital como prioridade inadiável
O tema mais sensível foi a saúde. Todos os ex-prefeitos foram unânimes ao afirmar que Goianésia precisa urgentemente colocar o novo Hospital Municipal em funcionamento.
O ex-prefeito Leonardo Menezes, reforçou que a obra foi concluída. “O hospital foi totalmente montado. Tomógrafo, raio X, leitos de semi-UTI, ambulatórios, cozinha, equipamentos novos. Tudo etiquetado e entregue durante a transição de governo”, afirmou.
Segundo ele, a única pendência era a ligação definitiva da energia. “Na época não deu tempo da Equatorial ligar. Desde então, não temos respostas claras do Poder Público sobre quando o hospital será entregue. A população me cobra isso todos os dias.”
Leonardo acrescentou que o atual hospital municipal opera “às duras penas” e que já recebeu notificações da Vigilância Sanitária. “A cidade cresceu, o antigo prédio não comporta mais. O novo hospital precisa funcionar.”
Dr. Helio de Sousa reforçou a necessidade de ação imediata. Para ele, “é preciso coragem para abrir o hospital municipal. Em poucos dias ele pode estar operando. Falta decisão política”.
CREDEQ: estrutura pronta, destino indefinido
O debate também trouxe críticas sobre o Centro Estadual de Referência e Excelência em Dependência Química (CREDEQ), obra estadual que jamais entrou em funcionamento.
José Salvino lamentou, que segundo ele, é a falta de interesse do Governo de Goiás. Ele afirmou que o prédio poderia ter sido cedido para abrigar uma escola técnica federal, proposta apresentada ao Ministério da Educação ainda durante a gestão de Leonardo Menezes. “O ministro ficou encantado. Era só o Estado fazer a concessão. Mas nenhuma resposta foi dada até hoje. Considero o CREDEQ um dos maiores desperdícios de infraestrutura pública da região” detalhou.
Dr. Helio completou dizendo que o local hoje está “abandonado, cercado de mato, vedado à entrada de pessoas”, classificando a situação como “triste para uma obra daquele porte”.
Energia: obra invisível, impacto gigantesco
Leonardo Menezes destacou que a nova linha de transmissão de energia foi decisiva para segurar empresas e garantir expansão urbana. Ele reforçou que, sem a obra, Goianésia teria perdido investimentos como Sesi/Senai, novos residenciais e até indústrias de grande porte.
“É uma obra que ninguém vê, mas que muda tudo. Se não tivéssemos insistido, Goianésia não receberia a Fricó Alimentos,não teríamos Residencial Hermínio Lopez, não teríamos a Escola SESI/SENAI, que será inaugurada em dezembro, um investimento acima de R$ 30 milhões que consegui juntamente ao ex-prefeito Otavinho ”,pontuou.
Anel viário e duplicações: segurança e mobilidade como urgência
O tráfego de carretas dentro da área urbana foi tratado como um risco permanente. O consenso entre os ex-prefeitos é que o anel viário deve ser tratado como prioridade máxima.
Dr. Helio afirmou: “É inconcebível manter centenas de carretas passando pelas ruas centrais. O anel viário tem de acontecer. É um desafio que exige coragem do prefeito.” Ele defendeu a construção de terceiras faixas nos trechos entre Goianésia e Barro Alto e entre Goianésia e Jaraguá enquanto a duplicação não avança.
Jalles Fontoura ressaltou que “a nova contorno não é opção, é necessidade”. Ele citou acidentes recentes envolvendo carretas, reforçando que vidas continuam em risco. Jalles afirmou que Goianésia precisa de uma nova contorno para suportar o fluxo do presente e do futuro, lembrando que Laurentino Rodrigues desenhou o primeiro contorno décadas atrás, e que agora é hora de uma segunda grande intervenção.




