Goianésia - O Brasil busca reverter a suspensão das importações de produtos de origem animal pela União Europeia, medida adotada pelo bloco europeu diante de questionamentos sobre as garantias apresentadas pelo país em relação ao controle do uso de antimicrobianos na produção pecuária. A restrição afeta segmentos como carnes bovina e de aves, ovos, mel e pescados e pode representar um impacto próximo de US$ 2 bilhões em um ano, segundo estimativas relacionadas ao comércio desses produtos.
Entre os setores mais afetados está o da carne bovina. De acordo com o analista de mercado do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás, Marcelo Penha, o Brasil movimenta cerca de US$ 1 bilhão em exportações de carne bovina para o mercado europeu, valor que corresponde a aproximadamente 5,5% das exportações gerais do país. Em Goiás, o montante exportado para a Europa chegou a cerca de US$ 189 milhões em 2025, equivalente a aproximadamente 6%.
“A parte bovina está, nesse momento, com o percentual mais comprometido. Nós estamos falando, a nível de Brasil, em torno de mais ou menos um bilhão de dólares e, para Goiás, em torno de 189 milhões de dólares, que é o que nós exportamos para a Europa em 2025”, explicou Marcelo Penha.
A medida europeia também reacende discussões sobre as exigências sanitárias estabelecidas para a entrada de produtos brasileiros e seus possíveis efeitos sobre a competitividade internacional do agronegócio. O bloco afirma que o Brasil não apresentou, dentro do prazo determinado, documentos e garantias suficientes para demonstrar o cumprimento das regras relacionadas ao controle de antimicrobianos.
Para o analista, além das questões sanitárias apresentadas pelas autoridades europeias, a restrição pode estar relacionada à concorrência entre produtores. Penha avalia que a diferença de preços entre a carne brasileira e a produzida na Europa também influencia o cenário comercial.
“A gente entende também que isso, de uma certa forma, é um protecionismo para a pecuária europeia, haja vista que eles não conseguem competir com o preço. O Brasil consegue colocar a carne na Europa”, afirmou.
O especialista também citou a possibilidade de uma resposta baseada no princípio da reciprocidade comercial, envolvendo produtos europeus importados pelo Brasil, como azeite, vinho e itens lácteos. Segundo ele, o governo brasileiro ainda não adotou essa estratégia e busca inicialmente uma solução negociada.
“A gente tem também uma questão de reciprocidade com o azeite, o vinho e lácteos deles. Porém, o Ministério não quis ainda entrar com essa possibilidade, entendendo que poderia conseguir, de uma certa forma, a flexibilização dessa questão da barreira”, declarou Marcelo Penha.
As regras europeias estabelecem restrições ao uso de determinados antimicrobianos na produção animal, especialmente aqueles associados ao risco de aumento da resistência bacteriana a medicamentos utilizados no tratamento de infecções em seres humanos. A União Europeia utiliza essas exigências como parte de seus critérios de controle sanitário para produtos de origem animal.
Diante da suspensão, o governo brasileiro e entidades ligadas ao setor agropecuário buscam apresentar informações adicionais e negociar com as autoridades europeias. Auditorias e tratativas diplomáticas estão entre as medidas adotadas para tentar demonstrar o cumprimento dos requisitos exigidos e restabelecer o fluxo comercial.




