Goianésia-A conta de energia elétrica segue com cobrança adicional em setembro após a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) manter a bandeira tarifária amarela, adotada desde maio. O cenário ocorre em um período de menor volume de chuvas, que reduz a disponibilidade dos reservatórios das usinas hidrelétricas e exige maior participação de outras fontes de geração.
O engenheiro eletricista Jovanilson Freitas explica que a utilização da bandeira amarela está diretamente relacionada às condições do sistema de geração de energia durante a estiagem. A medida busca sinalizar ao consumidor que o custo para produzir eletricidade está mais elevado.
Durante os meses de menor precipitação, a geração hidrelétrica pode ser reduzida para preservar os níveis dos reservatórios. Com isso, outras fontes passam a ser utilizadas para atender à demanda nacional, o que pode elevar os custos de produção.
“Nesse período de seca, você passa a usar outras fontes de energia para evitar esse esgotamento do recurso água das usinas hidrelétricas, podendo criar, inclusive, uma situação crítica do uso da água ao longo das bacias. Então, com isso, você diminui a geração das usinas hidrelétricas e passa a suprir essa demanda de energia do país por meio de outras fontes.”
A definição da bandeira considera fatores como as condições dos reservatórios e o volume de chuvas registrado. Atualmente, os reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste estão abaixo de 60%, cenário que exige atenção durante a fase de estiagem.
Além das condições de geração, o comportamento dos consumidores também influencia a demanda. As temperaturas elevadas costumam aumentar o uso de aparelhos de refrigeração, principalmente o ar-condicionado, fazendo com que o consumo residencial cresça justamente em um período de maior pressão sobre o sistema elétrico.
A expectativa é que a situação melhore com o retorno das chuvas. O engenheiro avalia que a recuperação dos reservatórios deve ocorrer principalmente a partir de novembro e dezembro, quando começa a ser registrada uma maior quantidade de precipitações.
Enquanto a cobrança adicional estiver em vigor, mudanças simples na rotina podem ajudar a controlar o valor da fatura. O consumo de cada equipamento depende da potência e do tempo de funcionamento, mas alguns aparelhos costumam ter maior impacto no gasto mensal das residências.
Jovanilson Freitas aponta três equipamentos que exigem atenção especial por utilizarem potência elevada durante o funcionamento.
“Nós temos três vilões: o primeiro seria o chuveiro elétrico, o segundo, o ar-condicionado, e o terceiro, o ferro elétrico. Esses três são aparelhos que demandam uma potência geralmente muito alta, são equipamentos que têm uma dissipação de energia muito grande e, dependendo da forma como são utilizados, permanecem ligados por um tempo prolongado.”
O ferro elétrico também merece atenção porque apresenta alta potência e, quando utilizado por períodos prolongados, pode representar uma parcela relevante do consumo doméstico.
Com a bandeira amarela mantida em setembro, a adoção de hábitos mais econômicos pode ajudar a reduzir o impacto da tarifa adicional. A recomendação é observar não apenas quais aparelhos consomem mais energia, mas também por quanto tempo permanecem ligados, evitando o uso desnecessário de equipamentos de alta potência.




