Goianésia - O setor industrial brasileiro acompanha com apreensão a proposta do governo dos Estados Unidos de ampliar as tarifas de importação sobre produtos brasileiros. A decisão, prevista para ser anunciada em 15 de julho, poderá elevar a tributação para até 37,5%, somando uma tarifa adicional de 25%, decorrente de uma investigação comercial, e outra de até 12,5%, relacionada a uma apuração sobre o suposto uso de trabalho forçado na cadeia produtiva brasileira.
De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), aproximadamente 4 mil produtos podem ser atingidos pela medida, o que representa cerca de US$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras.
Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), André Rocha, embora alguns segmentos sejam diretamente impactados, os efeitos podem alcançar diversos setores da economia nacional.
“Os setores de açúcar orgânico e mineração estão entre os mais afetados diretamente. No entanto, dezenas de outros segmentos podem sofrer impactos indiretos. Uma indústria que hoje exporta para os Estados Unidos pode buscar novos mercados e passar a competir diretamente com empresas goianas em outros países, aumentando a concorrência internacional”, explicou.
Insegurança pode comprometer investimentos
Segundo representantes da indústria, a possibilidade de novas barreiras comerciais aumenta a insegurança para empresas que atuam no mercado externo. A avaliação é de que a medida pode reduzir investimentos, comprometer a competitividade dos produtos brasileiros e afetar o planejamento de expansão das indústrias.
André Rocha destaca que o mercado norte-americano desempenha um papel estratégico para a exportação de produtos industrializados de maior valor agregado.
“Essa instabilidade acaba inibindo investimentos. Muitas empresas têm os Estados Unidos como um importante destino para seus produtos industrializados. Além disso, o Brasil já enfrenta custos financeiros elevados, e um cenário de maior incerteza torna ainda mais difícil a tomada de decisões para novos investimentos”, afirmou.
Indústria brasileira participa de negociações
As discussões sobre a proposta tiveram início nesta semana, em Washington, onde representantes da indústria brasileira participam de audiências públicas para defender a manutenção das atuais condições comerciais.
O setor argumenta que a eventual aplicação da sobretaxa poderá gerar prejuízos não apenas para os exportadores brasileiros, mas também para empresas e consumidores norte-americanos, em razão do aumento dos custos dos produtos importados e dos impactos sobre as cadeias globais de fornecimento.




