Goianésia- As variações climáticas registradas ao longo do ciclo agrícola devem provocar redução na produção de soja e milho em Goiás nesta safra. Dados divulgados pelo IBGE apontam queda nas estimativas das principais culturas do estado, cenário influenciado pelo atraso no plantio da soja devido à falta de chuvas e pelas dificuldades enfrentadas durante a colheita em meio ao excesso de precipitações.
Os efeitos climáticos também comprometeram a chamada janela ideal do milho safrinha, aumentando os riscos para os produtores rurais. O analista do IFAG, Vilmar Eurípedes, avaliou que o momento exige cautela diante da combinação entre custos elevados e perda de produtividade.
“O caminho para o produtor está, mais uma vez, complicado. Então, a gente tem, de fato, que tirar o chapéu para esse produtor que está lá no campo. Mas é uma situação muito arriscada. Ele vai, provavelmente, fechar o ano com as contas mais apertadas, porque, além dessa redução na produtividade, tivemos um ano com custos um pouco mais elevados”, afirmou.
Diante das dificuldades enfrentadas no campo, parte dos produtores passou a ampliar o cultivo do sorgo, considerado mais resistente à seca e com menor demanda hídrica. A alternativa tem sido vista como estratégia para reduzir perdas em períodos de instabilidade climática.
Além das mudanças nas lavouras de grãos, o setor agrícola goiano também observa crescimento nas áreas destinadas ao cultivo da cana-de-açúcar. Segundo Vilmar Eurípedes, o produtor precisará redobrar a atenção no planejamento das próximas safras, especialmente diante da possibilidade de aumento nos custos de fertilizantes, influenciados pelas tensões geopolíticas internacionais e pelos conflitos no Oriente Médio.
“Para o próximo ano e para as próximas safras, o produtor vai precisar ter atenção redobrada na hora de tomar decisões, para saber onde investir e onde reduzir os custos, evitando ampliar ainda mais os prejuízos que muitos podem enfrentar nesta safra”, disse.
Mesmo diante do cenário desafiador, especialistas apontam que o agronegócio goiano continua buscando alternativas para reduzir impactos climáticos e preservar a competitividade no campo. Investimentos em tecnologia, manejo eficiente e diversificação de culturas seguem entre as principais estratégias adotadas pelo setor para ampliar a segurança produtiva e minimizar prejuízos nas próximas temporadas agrícolas.




